O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, considera que a cúpula do G-20, neste sábado, em Washington assentará as bases para reformar o sistema financeiro e será a primeira de uma série de encontros similares, em meio a uma crise que se aprofunda.

Em um dia em que veio à tona que a Alemanha, terceira economia mundial, entrou em recessão, Bush falará em Nova York para apresentar suas expectativas em relação ao encontro de sábado.

"Os líderes que assistirão à reunião neste fim de semana estão de acordo em um claro propósito: resolver a crise atual e assentar as bases para reformas que ajudem a prevenir crise similares no futuro", dirá o presidente anfitrião, de acordo com trechos de seu discurso divulgados antecipadamente por sua assessoria.

"Também estamos de acordo em que essa empreitada é demasiado ampla para ser resolvida em uma única discussão. Por isso, essa cúpula será a primeira de uma série", reforçará.

Bush é favorável a uma modernização do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial e a que as grandes economias emergentes tenham mais peso em suas decisões.

"Deveriam considerar uma extensão do poder de voto a nações dinâmicas em desenvolvimento, particularmente, na medida em que aumentam suas contribuições a esses organismos. Também deveriam estudar formas de otimizar seus conselhos executivos e fazê-los mais representativos".

O pronunciamento de Bush, às 13h35 (16h35 de Brasília), em Nova York, será realizado em meio a mais notícias econômicas ruins.

A Alemanha está em recessão, segundo dados oficiais, enquanto que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os 30 países mais ricos, prognosticou uma "desaceleração prolongada" das potências industrializadas, confirmando, assim, as já sombrias previsões do FMI.

Bush falará um dia depois de seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, ter anunciado mudanças no plano de resgate da economia americana e ter esboçado a postura do governo americano frente à cúpula.

Paulson explicou que o governo reorientará a distribuição dos fundos de um polêmico pacote de resgate de 700 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso americano em setembro e que não comprará alguns dos chamados "ativos tóxicos" (papéis podres) de bancos afetados por investimentos em empréstimos hipotecários de alto risco, que estão na origem da crise.

O anúncio de Paulson aprofundou as perdas em mercados já desnorteados.

Paulson também mostrou qual será a postura do governo na cúpula de sábado, à qual muitos participantes, em particular das nações de economias emergentes, chegam com pedidos de maiores controles dos mercados.

"Não esqueçamos um tema fundamental que está no coração dos nossos problemas. Durante muitos anos, desequilíbrios globais persistentes e crescentes alimentaram um forte aumento nos fluxos de capital, baixas taxas de juros, realizações de riscos excessivos e uma busca geral por lucro. Esses excessos não podem ser atribuídos a um único país", frisou Paulson.

"Não há dúvida de que os baixos níveis de poupança nos Estados Unidos são um fator significativo, mas a falta de consumo e o acúmulo de reservas na Ásia e nos países exportadores de petróleo, assim como questões estruturais na Europa, também alimentaram os desequilíbrios", enfatizou.

A algumas horas da reunião do G-20, Paulson expressou que, por isso, o grupo não deve se ocupar apenas de "questões regulatórias particulares", mas também "corrigir os desequilíbrios globais que alimentaram os recentes excessos".

Suas palavras sinalizam algumas das diferenças que estarão sobre a mesa depois de amanhã.

O debate também vai girar em torno do papel que será desempenhado pelas instituições financeiras centrais, como o FMI e o Banco Mundial (Bird), em matéria de controle e fiscalização das normas financeiras.

A possibilidade de que o FMI exerça uma função de supervisão das regulações financeiras internas dos países encontra forte oposição nos Estados Unidos, primeiro acionista do organismo e com um peso de 17% dos votos nas decisões da Casa.

Os presidentes e chefes de Governo do G-20, assim como alguns convidados, entre eles a Espanha, começam a chegar na sexta-feira a Washington, onde acontecerá a reunião convocada pelos Estados Unidos, a pedido da França, país que ocupa atualmente a presidência da União Européia.

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