Bush ratifica acordo para retirada do Iraque antes de 2012

Bagdá, 14 dez (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, e o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, ratificaram hoje em Bagdá o acordo de segurança entre ambos os países que estipula a retirada do Exército americano antes de janeiro de 2012.

O acordo, que entrará em vigor em janeiro de 2009 e que já foi aprovado pelo Parlamento iraquiano e pelo Conselho Presidencial, também prevê que as forças norte-americanas abandonarão as cidades iraquianas em junho de 2009.

"Queremos dizer ao povo iraquiano através deste acordo que os Estados Unidos são um país que cumpre com sua palavra", disse Bush em entrevista coletiva realizada após a assinatura.

Por sua parte, Maliki assegurou que o pacto pavimenta o caminho para o retorno do Exército americano aos Estados Unidos.

A imagem da assinatura foi retransmitida pelo canal de televisão "Al Sharqiya".

Durante a entrevista coletiva posterior, um jornalista iraquiano, identificado como Muntazer al Ziadi, lançou seus dois sapatos contra Bush, que conseguiu esquivar de ambos.

Quando Bush se dirigia aos jornalistas foi interrompido na terceira fila pelo correspondente do canal de televisão "Al Baghdadi", que se levantou com um sapato na mão e se o jogou enquanto, aos gritos, chamava de "cão" o presidente americano, que conseguiu se esquivar.

Imediatamente depois, o jornalista iraquiano lhe jogou seu outro sapato - e de novo errou o alvo.

Após o ataque, os membros da equipe de segurança renderam o agressor, o detiveram e o tiraram da sala, segundo testemunhas presentes na entrevista coletiva.

"Este tipo de fato não me preocupa, quem os faz quer chamar a atenção", disse Bush após o incidente.

No Iraque, como em grande parte do mundo árabe, jogar um sapato é uma das maiores ofensas que se pode cometer contra outra pessoa, da mesma forma que chamá-lo "cão". O Parlamento iraquiano aprovou o acordo de segurança assinado hoje por Bush e Maliki em 27 de novembro.

Posteriormente, ele foi ratificado pelo Conselho Presidencial, formado pelo presidente do país, Talal Yalabani e os dois vice-presidentes.

Hoje, Bush também afirmou que tinha viajado até Bagdá para se despedir do Iraque, antes de deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

Durante uma reunião com seu colega iraquiano, Jalal Talabani, Bush classificou a missão do Exército americano no Iraque de necessária para a segurança dos EUA e a paz mundial.

"A intervenção americana no Iraque foi difícil, mas necessária", disse Bush durante o encontro.

O atual presidente americano, cujos índices de popularidade estão em seus níveis mais baixos, em parte pela guerra contra o Iraque, acrescentou que "a missão não foi fácil mas foi importante para a segurança dos EUA, para o futuro do Iraque e para a paz mundial".

No dia 1º de dezembro Bush chegou a reconhecer em entrevista concedida à cadeia "ABC News" que o maior erro de seus oito anos na Casa Branca foi acreditar piamente nos relatórios de inteligência que indicavam a existência - nunca confirmada - de armas de destruição em massa no Iraque.

O presidente americano também explicou então à emissora que não estava preparado para a guerra quando se tornou, em 2001, presidente dos Estados Unidos.

Hoje, diante de Talabani, o presidente dos Estados Unidos mostrou sua alegria por poder visitar o Iraque, mais uma vez, antes do fim de seu mandato.

Além disso, descreveu o acordo de segurança alcançado recentemente entre Iraque e Estados Unidos como "uma carta de amizade e um meio para continuar ajudando os iraquianos a construir uma sociedade livre".

Apesar de o pacto ratificado hoje estipular a retirada do Exército dos EUA das cidades iraquianas antes de julho de 2009 os comandantes militares americanos já comentaram a possibilidade de permanecer em alguns núcleos urbanos depois desta data para coordenar trabalhos de treinamento e missões de apoio.

A respeito disto, as autoridades iraquianas sublinharam que esta presença só poderá acontecer com permissão expressa do Governo do Iraque.

A visita do presidente dos EUA, a quarta desde a invasão do Iraque em 2003, acontece no dia seguinte da chegada do secretário de Defesa, Robert Gates, que anunciou que as tropas norte-americanas começaram sua última etapa neste país.

Durante sua estadia, Gates especificou que o plano apresentado pelo presidente eleito, Barack Obama - que o manterá no cargo -, para retirar as tropas em 16 meses não significa que ele a vá realizar de maneira "irresponsável". EFE sj-jfu/jp

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