Bush pretende reestruturar serviços de espionagem americanos

Washington, 31 jul (EFE).- A Casa Branca anunciou hoje uma grande reestruturação dos serviços de inteligência americanos, para redefinir as obrigações das distintas agências e centralizar o poder na figura do diretor nacional de espionagem.

EFE |

As mudanças fazem parte de um decreto-lei autorizado pelo presidente americano, George W. Bush, cujos detalhes foram divulgados hoje.

O decreto 12.333 atualiza outro emitido pelo presidente Ronald Reagan em 1981, considerado até agora o documento angular da comunidade de inteligência americana.

O "The Wall Street Journal" menciona que a iniciativa representa o último esforço de Bush para fechar os assuntos pendentes após a nova era em matéria de segurança, inaugurada por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A Casa Branca respondeu em 2004 à pressão dos familiares das vítimas e à comissão que investigou os atentados com uma reestruturação dos serviços de espionagem.

Entre outras medidas, criou-se o posto de diretor nacional de espionagem, encarregado de coordenar as 16 diferentes agências de inteligência que existem no país.

O diretor, cargo atualmente ocupado por Mike McConnell, recebeu a incumbência de pôr fim à rivalidade entre as distintas agências e acabar com as reticências das mesmas em compartilhar informação, um problema do qual responsabiliza em parte o fracasso na hora de abortar os atentados terroristas de 11 de setembro.

O jornal menciona hoje que o progresso nessa frente ainda está longe do ideal.

O decreto recém-aprovado procura dar uma solução definitiva aos problemas ainda existentes, ao autorizar um maior poder para o diretor nacional de espionagem e definir claramente os poderes e limitações das distintas agências.

McConnell será o principal responsável por impulsionar as relações com as agências de inteligência internacionais, algo do que tradicionalmente estava a cargo da Agência Central de Inteligência (CIA).

O diretor também assumirá um maior protagonismo na hora de despedir e contratar os responsáveis das agências, assim como maior responsabilidade em aquisições importantes, como na compra de novos satélites espiões.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou hoje que o decreto revisado ajudará a criar uma comunidade de inteligência "mais unificada, que compartilha informação mais livremente, coordena suas ações de forma eficaz e colabora de maneira mais estreita".

"O decreto-lei revisado insiste na crescente importância de proteger os EUA frente ao terrorismo e às armas de destruição em massa", disse Perino em comunicado.

A medida aprovada por Bush procura impulsionar e institucionalizar as reformas contempladas pela Lei de Reforma e Prevenção Terrorista de 2004 e fornecer um marco duradouro para as atividades de inteligência do país.

O decreto-lei "pede à comunidade de inteligência que produza informação oportuna, precisa e perspicaz com especial ênfase nas ameaças colocadas pelo terrorismo internacional e na propagação de armas de destruição em massa", informou Perino.

A Casa Branca reafirmou, além disso, seu compromisso com a proteção das liberdades civis e com o direito à privacidade dos cidadãos, temas que foram alvo de polêmica nos últimos anos perante as maiores atribuições dos serviços de segurança.

Vários legisladores expressaram sua frustração pelo fato de a Casa Branca não informar o Congresso sobre a histórica reestruturação.

"Não consultaram o Congresso em absoluto", disse ao "The Wall Street Journal" uma fonte do Congresso.

A reestruturação foi objeto de estudo durante mais de um ano. EFE tb/ab/db

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