WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, exigiu, nesta segunda-feira, que a Rússia respeite a integridade territorial da Geórgia e aceite o acordo de paz (unilateral) assinado por esse país como um primeiro passo para a resolução do conflito bélico na região.

"A Rússia invadiu um país soberano e ameaçou um vizinho. Isso é inaceitável no século 21", disse Bush, segundo quem Moscou danificará "substancialmente" suas relações com os EUA e o mundo caso não mude de atitude.

Nessa entrevista coletiva, concedida nos jardins da Casa Branca, Bush alertou a Rússia para não depor o governo georgiano e afirmou que a invasão de Moscou ao país vizinho fere seu lugar no mundo.

Bush anunciou que a Rússia parece querer depor o governo da Geórgia, advertindo que tais ações põem em perigo as relações de Moscou com os Estados Unidos e a Europa.

'Há evidência de que as forças russas podem em breve começar a bombardear o aeroporto civil da capital do país. Se as informações forem precisas, essas ações russas representam uma escalada dramática e brutal do conflito na Geórgia', disse Bush a jornalistas na Casa Branca depois de retornar da China.

Ajuda humanitária

O governo dos EUA disponibilizou US$ 250 mil em ajuda de emergência para seu aliado georgiano, no intuito de socorrer a população afetada pelo conflito entre Rússia e Geórgia, informou o Departamento de Estado, nesta segunda-feira.

Os Estados Unidos já começaram a enviar ajuda humanitária para a Geórgia, em caráter de urgência, mas "a expectativa é que os suprimentos (distribuídos pela embaixada americana em Tbilisi) estejam esgotados até o final do dia (segunda-feira)", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado Robert Wood.

A embaixada publicou uma declaração de desastre, hoje, "liberando US$ 250.000 como um fundo inicial que poderá fornecer suprimentos de ajuda de emergência e poderá assistir a 10.000 pessoas", disse Wood aos jornalistas.

O governo americano espera levantar a quantia de ajuda necessária, frisou.

Remédios e outros itens de primeira necessidade já se encontram na Alemanha, em pontos pré-estabelecidos, e as autoridades dos EUA estão consultando as Nações Unidas para conseguir que sejam transportados para a Geórgia o mais rápido possível, esclareceu o porta-voz.

A embaixada americana em Tbilisi já distribuiu suprimentos de emergência preparados para uso após desastre natural: barracas, cobertores e lençóis, kits de higiene, roupas, leitos e remédios.

Intervenção internacional

A Geórgia pediu, nesta segunda-feira, uma intervenção internacional e recuou suas forças para proteger a capital, enquanto tropas russas ignoravam os apelos ocidentais e continuavam avançando.

'O Exército georgiano está recuando para defender a capital. O governo busca urgentemente uma intervenção internacional para evitar a queda da Geórgia', disse o governo em nota.

O presidente Mikheil Saakashvili disse que as forças russas assumiram o controle da principal rota leste-oeste, o que na prática significou dividir o país em dois. Ele pediu aos seus cidadãos que fiquem em casa e não entrem em pânico.

Moscou ignorou o apelo de cessar-fogo feito pelo G7 , grupo dos maiores países industrializados, e disse que a Geórgia, descumprindo a promessa de trégua, continuava bombardeando a região separatista da Ossétia do Sul, onde o conflito começou, na quinta-feira.

(*Com informações das agências EFE, AFP e Reuters)

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