Bush pede nos EUA exploração de petróleo em alto mar

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu nesta quarta-feira ao Congresso americano que levante uma proibição de explorar petróleo e gás em alto mar que vigora desde 1981 no país.

BBC Brasil |

Em uma declaração transmitida pela televisão, o presidente disse que a medida, junto com outras também anunciadas, aumentaria a produção doméstica e reduziria a dependência energética americana, no momento em que o barril de petróleo chega a U$ 140 nos mercados internacionais.

"O Congresso deve enfrentar uma realidade: a menos que os seus membros estejam dispostos a aceitar os preços de combustível nos atuais níveis dolorosos, ou até mais altos, nossa nação deve produzir mais petróleo", disse o presidente. "E temos de começar agora."
Bush pediu aos parlamentares que permitam a exploração de petróleo no chamado Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico (ANWR, na sigla em inglês), no Alasca, e anunciou medidas para restringir a interrupção de projetos de energia, como refinarias, por parte de seus críticos.

O presidente americano acrescentou que as medidas fortaleceriam a segurança energética e nacional americana e trariam ganhos econômicos para o país.

"Vamos reduzir a pressão sobre os preços do combustível ao longo do tempo, expandido a quantidade de petróleo e gasolina produzidos nos Estados Unidos", afirmou. "Vamos fortalecer nossa segurança nacional reduzindo a dependência em relação ao petróleo estrangeiro."
"Vamos beneficiar os trabalhadores americanos, mantendo nossa competitividade nacional na economia global e criando empregos de qualidade na construção, engenharia, manutenção em atividades de refino e outras áreas."
Regiões inexploradas
Estima-se que os Estados Unidos possuam reservas de petróleo da ordem de 18 bilhões de barris, além de grandes quantidades de gás, em regiões inexploradas de sua costa.

Entretanto, desde 1981, uma moratória imposta pelo Congresso proíbe a exploração desses recursos em uma área que totaliza cerca de 80% da porção exterior da plataforma continental americana.

Para Bush, a proibição se tornou "ultrapassada" e "contraproducente".

"Os avanços tecnológicos tornaram possível conduzir explorações de petróleo na plataforma continental exterior que está fora do alcance da vista, proteger baías de corais e habitats e prevenir vazamentos de óleo", disse Bush.

"Com esses avanços e com a elevação dramática no preço do petróleo, as restrições do Congresso em relação à exploração da plataforma continental se tornaram ultrapassadas e contraproducentes."
Exemplo brasileiro
A proibição, que teve como objetivo proteger o turismo e reduzir as chances de ocorrência de vazamentos de óleo nas praias do país, vem sendo questionada no momento em que os combustíveis já custam US$ 4 por galão nas bombas dos postos americanos.

Na semana passada, o diário financeiro The Wall Street Journal publicou um artigo em que criticou a postura americana em relação às suas reservas no fundo do mar, citando a experiência do Brasil na área como exemplar.

"Quando o Brasil fez a descoberta (de reservas de petróleo na bacia de Santos), em novembro, seu Congresso anunciou que, por temer vazamentos de óleo atingindo as praias do Rio ou alterando o clima, iria renunciar à exploração desses campos? Claro que não", argumentou o jornal.

O tema deve ocupar lugar de destaque nos debates prévios à eleição de novembro. Na terça-feira, o pré-candidato republicano John McCain reverteu suas posições anteriores e defendeu a exploração de hidrocarbonetos em alto-mar.

"Iniciando o mandato do próximo presidente, precisamos tomar o controle de nosso futuro energético e nos tornarmos novamente mestres de nosso destino", afirmou McCain, em um evento em Houston, no Texas, sede de diversas empresas petroleiras.

Em resposta, o pré-candidato democrata Barack Obama disse que as declarações de McCain são "políticas" e que o rival mudou "completamente" sua opinião para "dizer a um grupo de executivos do petróleo em Houston exatamente o que eles queriam ouvir".

Obama defendeu a conservação ambiental e o desenvolvimento de fontes de energia alternativa.

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