Bush pede ingresso da Ucrânia e Geórgia na Otan

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reafirmou hoje a importância estratégica da entrada de Ucrânia e Geórgia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Agência Estado |

As declarações sobre o tema, que divide os países da aliança, foram feitas na chegada de Bush para a reunião de cúpula da entidade, realizada este ano em Bucareste. A entrada das duas ex-repúblicas soviéticas não é bem vista por países como a Alemanha e a França. Esses países acreditam que a medida irá causar estragos na relação entre a Rússia e os países ocidentais. Moscou já declarou várias vezes firme oposição ao ingresso de Ucrânia e Geórgia na Otan.

"Nós devemos deixar claro que as aspirações de tornarem-se membros da Otan da Geórgia e da Ucrânia são bem-vindas e ofereceremos a elas um caminho claro em direção a esse objetivo", disse o presidente norte-americano, durante discurso para especialistas de segurança, realizado antes da abertura do encontro entre países. "Ser um membro da Otan deve ser aberto a todas as democracias européias que procuram isso e estão prontas para dividir as responsabilidades da presença na Otan", completou Bush.

A Ucrânia e a Geórgia esperam que o encontro de três dias, iniciado hoje, produza um documento com os passos para esses países se tornarem membros da aliança. Ambos esperam ingressar na Otan nos próximos cinco ou dez anos. "O que está acontecendo com esta artificial - e completamente desnecessária - expansão da Otan (...) não ficará sem resposta (da Rússia), eu garanto a vocês", disse o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

Em seguida, Lavrov ameaçou com uma resposta "pragmática", e "não como uma criança pequena na escola, que é ofendida por alguém, bate a porta e depois foge chorando da sala de aula". A irritação russa acendeu o sinal de alerta para alguns membros europeus da Otan. O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse haver "amplo ceticismo" em relação à Ucrânia e à Geórgia. O alemão ainda citou pesquisas realizadas entre ucranianos apontando que a maioria deles não desejava ver seu país na Otan.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, deu ontem declarações na mesma linha. "A França não dará luz verde para a entrada da Ucrânia e da Geórgia", garantiu. Mais cedo, Bush conclamou seus aliados na Otan a admitirem a seriedade do combate à milícia fundamentalista islâmica Taleban. Ele pediu que os países da aliança forneçam mais soldados para a guerra no Afeganistão.

Atualmente, a aliança atlântica mantém 47.000 soldados em solo afegão. Segundo Bush, os EUA esperam que os integrantes da Otan "carreguem o fardo necessário para o êxito" no Afeganistão. O presidente americano mostrou-se satisfeito com recentes anúncios de que alguns países da Otan, entre eles a França, enviarão mais tropas ao país centro-asiático.

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