Bush pede aumento das tropas no Afeganistão para combater terrorismo

Bucareste, 2 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, fez hoje um enérgico pedido de extensão da força da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o leste europeu e de aumento significativo das tropas no Afeganistão poucas horas antes do início da cúpula da aliança militar em Bucareste, Romênia.

Em discurso na capital romena, Bush expôs sua posição sobre o futuro da Aliança, que, segundo ele, deve passar a ser agora uma "força expedicionária" capaz de enfrentar os desafios do século XXI.

O presidente americano defendeu o projeto de seu país de estabelecer um escudo antimísseis no leste europeu - o que Moscou considera "uma ameaça" -, e afirmou que a medida é necessária para enfrentar as ameaças potenciais procedentes do Oriente Médio, especialmente do Irã.

Bush lembrou as ameaças de Osama bin Laden contra a Europa para afirmar que "a principal prioridade" da Otan deve ser a luta contra a Al Qaeda e outros grupos terroristas.

Diante disto, instou os 26 países membros da Otan a aumentarem de forma significativa suas contribuições à força de paz da Aliança no Afeganistão.

"Caso não consigamos derrotar os terroristas no Afeganistão, teremos que enfrentá-los em nosso próprio território", declarou Bush.

Em uma entrevista coletiva com o presidente romeno, Traian Basescu, Bush expressou sua esperança de que os 26 membros da aliança militar se comprometerão a enviar um número significativo de reforços.

Os EUA anunciaram que enviarão mais 3 mil fuzileiros navais para apoiarem os 56 mil homens da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que seu país enviará também mais soldados, que poderiam chegar a várias centenas, e a Romênia também se pronunciou neste sentido.

Bush não quis dizer se as ofertas dos aliados serão suficientes e afirmou que entende os obstáculos políticos que impedem que algumas nações prometam mais soldados.

No entanto, declarou: "convém a todos ter êxito, pois não queremos que o inimigo volte a gozar de um refúgio novamente".

Os aliados realizarão amanhã uma reunião especialmente dedicada ao Afeganistão, que também contará com a presença do presidente deste país, Hamid Karzai.

Bush, que esta tarde se reunirá com o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, antes do início oficial da cúpula, afirmou também que parte da modernização da Otan passa por sua expansão para o leste.

O presidente americano ainda lembrou que a organização aprovará amanhã a sugestão de ingresso pleno de Croácia, Albânia e Macedônia.

Bush se mostrou a favor de um diálogo com a Bósnia e Montenegro e, sobretudo, de oferecer um plano de ação às ex-repúblicas soviéticas da Ucrânia e da Geórgia que abra o caminho para uma possível entrada de pleno direito por parte destes países no futuro.

"A posição do meu país está clara: a Otan deveria dar as boas-vindas à Ucrânia e à Geórgia ao Plano de Ação. O ingresso na Otan deve permanecer aberto a todas as democracias européias que o buscam e estejam dispostas a compartilhar as responsabilidades do que representa ser membro da Otan", declarou Bush.

Para a Rússia uma aproximação da Aliança com essas ex-repúblicas soviéticas teria "terríveis conseqüências".

A Aliança está dividida sobre a conveniência de se oferecer um plano de ação a Tbilisi e Kiev e, ontem, o primeiro-ministro francês, François Fillon, declarou que o mesma não seria conveniente para as relações de poder na Europa.

Bush, que se reunirá este fim de semana em Sochi, na Rússia, com o presidente russo Vladimir Putin, lançou uma advertência aos aliados para que não se deixem influenciar pela opinião de Moscou, que não é membro da Aliança.

Entretanto, ao mesmo tempo deixou uma mensagem de tranqüilidade a Putin ao dizer que a Rússia não tem nada a temer da Otan, pois os tempos da Guerra Fria passaram e Moscou não é mais um inimigo.

Segundo Bush, o escudo antimísseis que os EUA querem colocar na Polônia e na República Tcheca não está voltado para a Rússia, mas para possíveis ataques provenientes do Oriente Médio.

O presidente americano afirmou que hoje não existe um dispositivo para defender o continente de um possível ataque vindo do Oriente Médio e disse que o Irã poderia testar mísseis balísticos de longo alcance capazes de chegar à Europa ou aos EUA. Bush ainda chamou de "urgente" a necessidade de atenuar esta carência.

"Convidamos a Rússia a se unir a nós neste esforço de cooperação para defender a Rússia, a Europa e os EUA contra uma ameaça emergente que poderia nos afetar", declarou o presidente americano.

EFE mv/rr/fal

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