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Bush pede a Cuba reforma profunda e não só gestos vazios

Washington, 7 mai (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou hoje de gestos vazios a eliminação, por parte de Raúl Castro, de algumas restrições em Cuba e disse que manterá o embargo enquanto não houver liberdade na ilha.

EFE |

A Casa Branca aproveitou a conferência anual do Conselho das Américas, uma associação de multinacionais, para enviar uma mensagem dura contra Cuba em um momento no qual nos Estados Unidos e no mundo ganhou força a voz dos que pedem o fim de um embargo que já dura quase meio século.

No Departamento de Estado americano, onde ocorreu a conferência, Bush e membros de seu gabinete insistiram também nos outros dois principais temas de sua agenda para a América Latina: Colômbia e México.

Bush pediu ao Congresso que aprove o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, cujo futuro é muito incerto por conta da oposição dos líderes democratas.

Além disso, o presidente solicitou a doação de US$ 1,4 milhão em três anos para combater o tráfico de drogas e o crime organizado no México e na América Central, um programa conhecido como Iniciativa Mérida.

Não faltou também referência à Venezuela, país o qual Bush descreveu como "um vizinho hostil e antiamericano" da Colômbia que "forjou uma aliança com Cuba, colaborou com os terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e deu proteção" a esse grupo.

Outro alvo de críticas foi o Irã. O encarregado da América Latina no Departamento de Estado americano, Thomas Shannon, acusou a República Islâmica de usar suas relações com a América Latina como "uma forma de mostrar que pode se expressar" na arena internacional.

"É uma forma de atuar contra nós", acrescentou Shannon. A Venezuela, em particular, estreitou seus contatos com o Irã.

As palavras mais duras do dia se referiram, no entanto, a Cuba.

Bush pediu ao Governo de Raúl Castro "eleições livres e justas", para respeitar os direitos humanos e libertar os presos políticos.

Sobre o embargo, o presidente disse que "é a política dos EUA e não deve mudar até que o povo de Cuba seja livre".

"Cuba não será uma terra de prosperidade simplesmente relaxando as restrições sobre as vendas de produtos que os cubanos não podiam ter", sustentou Bush.

Desde fevereiro, Raúl Castro permitiu aos cubanos comprar telefones celulares, ficar em hotéis antes reservados para turistas e alugar automóveis.

Carlos Gutiérrez, um cubano que agora é secretário de Comércio dos Estados Unidos, riu dessas medidas, as quais qualificou de "muito superficiais e, francamente, um pouco tristes e cínicas", pois o cubano médio só ganha US$ 17 por mês.

Desde que Raúl Castro assumiu o poder em fevereiro, depois que seu irmão Fidel renunciou, "não houve qualquer mudança significativa", disse o chefe da Casa Branca.

A Casa Branca confirmou hoje que o chefe de Estado dos EUA falou esta terça-feira por videoconferência com três dissidentes cubanos, Bertha Soler, Jorge Luis García Pérez e Martha Beatriz Roque, que discursaram no escritório de interesses americanos em Havana.

É a segunda ocasião em dois meses em que Bush conversa com dissidentes cubanos, depois que, em março, recebeu na Casa Branca Miguel Sigler e Josefa López Peña.

A Colômbia é o outro país na América Latina que causa preocupações a Bush, que não desperdiça uma oportunidade para pedir ao Congresso que ratifique o pacto comercial conjunto. Hoje, disse que se trata de "uma prioridade urgente de segurança nacional".

O texto está no limbo depois que a presidente da Câmara Baixa, a democrata Nancy Pelosi, se negou a submetê-lo a votação.

Bush reconheceu que se a legisladora da Califórnia não mudar de postura, "o acordo estará morto".

O presidente também insistiu ao Congresso para aprovar a Iniciativa Mérida, outra medida deixada de lado pelo Legislativo.

Para vender a idéia aos congressistas, a Casa Branca mudou o tom de seu discurso sobre o tráfico de drogas e Shannon, por exemplo, reconheceu que os Estados Unidos "são parte do problema", por sua demanda de entorpecentes.

É justo, argumenta, que libere dinheiro para resolver o problema.

EFE mcb/iw/db

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