Por Tabassum Zakaria WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mandou na sexta-feira que sejam ampliadas as sanções impostas ao governo ilegítimo de Robert Mugabe, presidente do Zimbábue, e que se adotem as medidas necessárias para congelar os bens de 17 empresas estatais do país.

'Essa medida é um resultado direto do fato de o regime de Mugabe continuar a incentivar o uso da violência', afirmou Bush em um comunicado.

O líder zimbabuano venceu as eleições presidenciais do mês passado, mas o processo foi condenado por países do Ocidente e boicotado pelo líder oposicionista Morgan Tsvangirai, que afirmou que o governo usou medidas intimidadoras e agressivas antes do pleito.

O Departamento do Tesouro dos EUA começou a adotar as medidas para congelar os bens de 17 estatais zimbabuanas que se encontram sob jurisdição norte-americana.

Segundo o órgão, os cidadãos dos EUA seriam proibidos de realizar negócios com essas empresas, entre as quais o Banco de Desenvolvimento Agrícola do Zimbábue e companhias dos setores mineral, têxtil, químico e outros.

Mugabe é alvo de sanções dos EUA desde março de 2003, afirmaram autoridades norte-americanas.

Bush disse ter decidido ampliar as sanções depois de o governo de Mugabe ter ignorado os apelos da União Africana (UA), da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) de parar com os ataques contra os simpatizantes e autoridades da oposição.

'Caso as atuais negociações realizadas na África do Sul entre o regime de Mugabe e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, partido de Tsvangirai) resultarem em um novo governo que represente a vontade do povo zimbabuano, os EUA estarão prontos para fornecer pacotes de ajuda, auxílio ao desenvolvimento e a normalização das relações com as instituições financeiras internacionais', disse Bush.

O partido de Mugabe e duas facções do MDC deram início a negociações mediadas pela África do Sul a fim de criar um governo de unidade nacional capaz de superar o impasse em torno da vitória de Mugabe no segundo turno da eleições, no dia 27 de janeiro.

A oposição diz que 120 de seus simpatizantes foram mortos e que muitos outros foram torturados ou espancados desde o primeiro turno das eleições, no dia 29 de março, que Tsvangirai venceu, mas no qual não conseguiu conquistar um número suficiente de votos para evitar um segundo turno.

Mugabe culpa a oposição pela onda de violência.

(Reportagem adicional de David Lawder)

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