Bush mal aparece nos últimos dias da campanha eleitoral

Macarena Vidal. Washington, 3 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, cuja gestão foi tão criticada que até seus correligionários republicanos o preferem o mais longe possível, foi um personagem invisível da campanha, especialmente em seus últimos dias.

Bush, que em campanhas eleitorais anteriores tinha ido a seu rancho texano em Crawford para votar, desta vez preferiu enviar sua cédula por correio e permanecer em Washington para acompanhar a votação da Casa Branca.

Ao longo da última semana, o presidente quase não participou de atos públicos - quatro, em oito dias - e desde quinta-feira praticamente desapareceu do mapa.

É pouco comum que um líder americano participe tão pouco em uma campanha eleitoral a favor do candidato de seu partido.

Inclusive nas eleições de 2000, quando o candidato democrata Al Gore disputava a Casa Branca com Bush, o presidente Bill Clinton participou de vários atos em seu favor.

Em entrevista coletiva hoje, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que eles são "realistas sobre o clima político" que vivem.

"O presidente Bush acompanhou esta campanha com muito interesse, se interessou pelos temas, observou os candidatos e suas táticas, mas também se dá conta de que estas eleições não giram em torno dele", afirmou.

O presidente americano conta com uma popularidade em torno de 25%, o número mais baixo desde que começaram essas pesquisas, e apenas 10% do eleitorado acha que o país está em um bom caminho.

Dados estes números, não é de se surpreender que o candidato republicano John McCain tenha feito o possível para se distanciar do atual presidente.

Desde que se confirmou que McCain seria a aposta republicana para este pleito, o presidente e o senador só compareceram juntos em duas ocasiões: a primeira, em março na Casa Branca, quando Bush anunciou seu apoio ao candidato, e poucas semanas depois em Fênix (Arizona) para participar de um ato de arrecadação de fundos.

Até mesmo o comparecimento previsto de Bush na Convenção Nacional Republicana, no início de setembro, se viu reduzido a um curto discurso à distância devido à passagem do furacão "Gustav" pela Louisiana e pelo Texas, sem excessivos protestos da campanha de McCain.

Desde então, não houve mais nenhuma aparição conjunta dos dois republicanos. Pelo contrário, McCain se esforçou em destacar que não é o presidente Bush, e em outubro lançou uma dura crítica contra as políticas do atual presidente, em uma tentativa de se distanciar do ocupante da Casa Branca.

Já os democratas se esforçaram para vincular por todos os meios, em comícios e em anúncios, a mensagem de que as propostas de McCain são uma continuação das medidas de Bush.

A grande exceção do papel secundário exercido pelo presidente aconteceu após a explosão da crise financeira, a partir de 15 de setembro, quando ele compareceu quase diariamente diante da imprensa para tratar de emitir mensagens para acalmar os ânimos.

Esses dias coincidiram com os piores resultados de McCain nas pesquisas. Em compensação, o candidato republicano cresceu significativamente nas pesquisas quando Bush desapareceu das telas de televisão.

Segundo explicou o porta-voz da Casa Blanca Tony Fratto, Bush gostaria de ter se mantido ainda mais distante do que pôde, "mas o presidente é o presidente" e ele teve que encarar "assuntos importantes, como a crise financeira".

Quem compareceu nos últimos dias perante as câmeras para fazer campanha em favor de McCain foi o vice-presidente, Dick Cheney, algo que surpreende se for levado em consideração que sua popularidade é ainda menor que a de Bush.

No sábado, Cheney declarou que está "encantado em apoiar John McCain".

Fico feliz que ele tenha escolhido "uma companheira de chapa com talante de Governo, dureza e bom senso, nossa próxima vice-presidente Sarah Palin", afirmou.

Os democratas se apressaram em transformar essas declarações em um anúncio de campanha em favor de seu candidato, Barack Obama, transmitido até não poder mais nos estados-chave. Uma prova de que, do ponto de vista republicano, foi mais sensato manter Bush em um segundo plano. EFE mv/ab/jp

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