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Bush leva na brincadeira episódio dos sapatos voadores em Bagdá

CABUL - Depois de afirmar que foi um dos episódios mais bizarros de sua presidência, George W. Bush comentou com bom humor, na viagem de Bagdá para Cabul, o momento em que teve de se desviar dos sapatos lançados em sua direção por um jornalista iraquiano.

Redação com agências internacionais |

Cometido contra um dos homens mais bem protegidos da história da humanidade, o episódio de domingo, durante uma entrevista à imprensa em Bagdá, revela a hostilidade persistente contra Bush, mais de cinco anos depois da invasão do Iraque e o fim do regime de Saddam Hussein.

"Não sei o que o cara disse, só vi o sapato dele", brincou George W. Bush.


Bush mostra que está com os reflexos em dia e desvia de sapato / Reuters

Os sapatos pertenciam a um jornalista de um canal de televisão iraquiano, Mountazer al-Zaidi, que interrompeu brutalmente domingo à noite uma entrevista à imprensa do presidente americano e do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

" Foi o beijo do adeus, seu cachorro ", gritou o jornalista, lançando contra o presidente americano seus sapatos, antes de ser retirado a força pelos serviços de segurança iraquianos e americanos. Ele ainda gritou contra George W. Bush: "você é responsável pela morte de milhares de iraquianos".

Bush baixou a cabeça e se desviou do primeiro sapato, que atingiu as bandeiras americana e iraquiana colocadas atrás dos dois presidentes. O segundo sapato passou longe.

As imagens do incidente deram volta ao mundo rapidamente.

Assista ao vídeo

Na cultura árabe, ser chamado de "cachorro" é um grave insulto e os sapatos são um instrumento de desprezo: em 2003, os iraquianos atacaram da mesma forma a estátua de Saddam Hussein a sapatadas.

"Isso não me chateia. Se vocês quiserem fatos, o sapato era de tamanho 10 ( 42 no sistema brasileiro )", brincou George W. Bush, minimizando o ocorrido.

"Não sei que causa ele defendia. Não me senti de forma alguma ameaçado", declarou.

Viagem final ao Afeganistão

O presidente americano embarcou em seguida para o Afeganistão , e durante o vôo ele disse aos jornalistas que o acompanhavam que o incidente lembrou a cerimônia de recepção do presidente chinês, Hu Jintao, em frente à Casa Branca, por um manifestante do movimento espiritual Falungong, reprimido na China.

"Foi apenas um momento bizarro, mas já vive outros momentos bizarros durante minha presidência. Eu me lembro, quando Hu Jintao nos visitou. Ele estava falando e, de repente, ouvi um barulho. Não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo, mas era a mulher do Falungong gritando com toda sua força. Foi um momento estranho", recordou.

Quando Bush chegou a Cabul na manhã desta segunda-feira e participava de uma entrevista à imprensa ao lado de seu colega Hamid Karzaï, os jornalistas presentes se perguntavam: "será que vamos ver mais alguns sapatos voarem aqui também"?.

Não foi o caso, mas um jornalista afegão chegou a incentivar um de seus colegas da televisão: "por que você não faz isso agora. Vamos, faça isso!". Mas nada aconteceu.

Enquanto isso, no Iraque, o canal de televisão al-Bagdadia pediu às autoridades iraquianas que liberassem Mountazer al-Zaidi , "em nome da democracia e da liberdade de expressão que o novo regime e as autoridades americanas prometeram ao povo iraquiano".

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* Com AFP

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