Bush inicia viagem de despedida por Europa que já pensa em Obama e McCain

Macarena Vidal Washington, 8 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, começa amanhã uma viagem de despedida por uma Europa que já pensa em quem será o vencedor do duelo entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain pela Casa Branca.

Bush deve chegar na noite desta segunda a Liubliana (capital da Eslovênia) para o principal evento de sua viagem, a cúpula anual entre União Européia e EUA, e continuará sua viagem por Alemanha, Itália, França e Reino Unido.

O presidente americano também aproveitará para visitar o Vaticano e a Irlanda do Norte.

Algumas das escalas deste giro pelo Velho Continente teriam sido impensáveis há apenas dois ou três anos, em uma demonstração de como aconteceram avanços na relação transatlântica desde os desacordos com a Guerra do Iraque.

Bush se encontrará tanto com velhos amigos, como o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, quanto com novos aliados, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Apesar de ter sido recebido com firmes apertos de mãos, o presidente americano não poderá evitar que os líderes europeus já vislumbrem a batalha pela sucessão na Casa Branca.

"Há uma verdadeira 'EuroObamamania' na Europa", disse o analista Reginald Dale, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS, em inglês).

À espera do que pode acontecer, os líderes europeus não estão interessados em antecipar grandes iniciativas. A agenda de Bush é ampla, mas não especialmente ambiciosa, afirma seu conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, ao descartar "anúncios muito drásticos nesta viagem".

O analista Simon Serfaty, também do CSIS, foi ainda mais contundente ao afirmar que "esta cúpula é um 'não acontecimento'".

Segundo Hadley, Bush conversará com os governantes europeus, entre outros assuntos, sobre o programa nuclear iraniano, que na semana passada chamou de "ameaça autêntica".

O presidente dos EUA, que nos últimos meses aumentou a intensidade de seu discurso contra o Irã, quer obter apoio dos europeus para um endurecimento das sanções contra o regime dos aiatolás.

O Governo Bush garante que tenta resolver diplomaticamente suas diferenças com Teerã, principalmente sobre seu suposto programa de enriquecimento de urânio.

Bush também quer um maior compromisso dos aliados com o Afeganistão, além de abordar caminhos para estimular a Sérvia a continuar no caminho da democratização e acelerar a integração dos Bálcãs nas instituições democráticas européias, explicou Hadley.

Os dirigentes também discutirão a situação na Geórgia e a iniciativa do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, de iniciar conversas com a região independentista da Abkházia.

A segurança energética e a mudança climática também terão papel importante nas conversas, que também abordarão o aumento do preço dos alimentos e a Rodada de Doha.

Segundo Sefarty, as iniciativas de maior polêmica ficarão para novembro, quando a Presidência da União Européia (UE) se concentrará nas "medidas que os europeus podem apresentar para tratar com a nova Administração já em 5 de novembro, imediatamente após as eleições" nos EUA.

Bush aproveitará para destacar em cada escala da viagem a melhora das relações com o bloco europeu que seu ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld chamou depreciativamente de "Velha Europa", na qual a maior parte dos Governos é de centro-direita, mas alinhados ideologicamente à atual Administração americana.

Em Berlim, Bush fará menção ao aniversário de 60 anos do Plano Marshall, que contribuiu com a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Além das reuniões com os centro-direitistas Merkel, Berlusconi e Sarkozy - um jantar oficial com o presidente francês e sua mulher, a ex-modelo Carla Bruni, que já causa grande expectativa -, Bush prestará homenagem em Londres à "relação especial" com o Reino Unido.

A viagem terminará com uma visita à Irlanda do Norte, onde em abril completou-se dez anos de um processo de paz no qual os EUA desempenharam papel um papel de mediação essencial. EFE mv/wr/fal

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