Bush fixa novo objetivo contra o aquecimento climático, mas sem nada impor

O presidente George W. Bush conclamou nesta quarta-feira pela primeira vez os Estados Unidos à redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, mas sem nada anunciar de concreto ou obrigatório, tendo sido acusado de estar fazendo muito pouco e agindo tardiamente para combater o aquecimento climático.

AFP |

Em discurso na Casa Branca, Bush fixou como objetivo, para um país que é um dos maiores lançadores desses gases na atmosfera, a reduzir a emissão desses poluentes até 2025.

Embora tenha se recusado seguidas vezes a ratificar o Protocolo de Kyoto, Bush afirmou que seu país - que atualmente ocupa o posto maior poluidor do mundo - havia demonstrado seriedade no que diz respeito a reduzir o crescimento das emissões de gases como o dióxido de carbono.

"Hoje, estou anunciando um novo objetivo nacional: reduzir o crescimento das emissões de gases causadores do efeito estufa pelos Estados Unidos até 2025", disse Bush no pronunciamento, sem dar detalhes específicos a respeito de metas.

O presidente afirmou que, para alcançar o objetivo de 2025, "precisaremos diminuir mais rapidamente o crescimento das emissões de gases causadores do efeito estufa pelo setor energético, para que alcancem um pico em 10 ou 15 anos e então sejam reduzidos drasticamente depois".

Entretanto, Bush tampouco mencionou qualquer medida legal voltada para a indústria a fim de forçar essa redução - ao contrário, advertiu o Congresso contra qualquer lei nova que possa "trazer custos tremendos para nossa economia e para as famílias americanas".

Bush exaltou o advento de novas tecnologias que prometem limpar as emissões de gases poluentes, além de tecnologias antigas que não poluem tanto a atmosfera, como a energia nuclear e o "carvão limpo", e anunciou a meta de tornar os veículos que circulam nos EUA mais eficientes para liberar menos dióxido de carbono.

O discurso do presidente, nos jardins da Casa Branca, acontece às vésperas de uma reunião dos maiores poluidores do mundo, marcada para esta quinta e sexta-feira na França.

Ministros de 16 países, que juntos são responsáveis por 80% das emissões de gases causadores do efeito estufa do planeta, se encotrarão em Paris para a "Major Economies Meeting", a terceira de uma série convocada desde setembro pelo próprio Bush.

Os compromissos do tratado de Kyoto, rejeitado por Bush, expiram em 2012. O presidente adere com atraso aos esforços de luta contra as mudanças climáticas, e agora é acusado de tentar emplacar uma nova política "diluída", cujas ações dependeriam antes de atitudes voluntárias que de cortes obrigatórios nos níveis de emissão de poluentes estabelecidos pelo governo.

"É definitivamente muito pouco e muito tarde, após oito anos fazendo nada", comentou Elizabeth Blast, diretora de programas internacionais dos Amigos da Terra, afirmando que o objetivo de Bush para 2025 é "claramente insuficiente para lidar com o problema".

"É uma tentativa de se afastar do que está acontecendo nas negociações internacionais, e o resto do mundo não deveria se deixar influenciar por esse discurso e achar que a administração dos Estados Unidos está prestes a mudar de idéia", declarou.

O Sierra Club, maior grupo de defesa do meio ambiente dos Estados Unidos, afirmou por sua vez que o plano de Bush para frear o crescimento das emissões é "lamentavelmente deficiente".

"Os cientistas nos dizem que é preciso cortar o total das emissões em pelo menos 15 ou 20% até 2020, e em 80% até 2050, para evitar os efeitos mais catastróficos do aquecimento global", explicou Carl Pope, diretor executivo do movimento.

Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara dos Representantes, disse que Bush falhou em responder ao desafio das mudanças climáticas em seu último ano de mandato, e que ele deveria apoiar esforços do Congresso para reduzir as emissões de gases poluentes.

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