IRAQUE - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi recebido neste domingo pelo presidente iraquiano Jalal Talabani, durante uma visita surpresa de despedida ao país que ordenou invadir em 2003.

"A tarefa não foi fácil mas era necessária para a segurança americana, para a esperança dos iraquianos e para a paz no mundo", declarou Bush depois de uma reunião com Talabani.

A visita de Bush, mantida em sigilo pelos Estados Unidos, só foi anunciada pela Casa Branca quando o presidente já havia desembarcado em Bagdá.

Depois de ouvir os hinos nacionais, os dois presidentes passaram em revista a guarda de honra e caminharam pelo tapete vermelho antes de entrar na residência presidencial, no centro da capital iraquiana.

Esta é a quarta visita de Bush ao Iraque desde que as tropas americanas derrubaram o regime de Saddam Hussein em abril de 2003. Ele esteve em Bagdá em novembro de 2003 - no dia de Ação de Graças -, em junho de 2006 e em setembro de 2007.

A visita acontece depois que o Iraque aprovou o acordo de segurança com os Estados Unidos, após longas e difíceis negociações, que determina a saída das tropas americanas do país até o fim de 2011.

Desde a invasão de março de 2003, mais 4.200 militares americanos morreram ou foram feridos no Iraque. Dezenas de milhares de iraquianos também morreram na guerra.

AP
Bush e o presidente do Iraque, Jalal Talabani


O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, disse e repetiu durante a campanha eleitoral que deseja a retirada das tropas americanas em 16 meses, a contar de sua posse no dia 20 de janeiro de 2009, mas afirmou ainda que levará em consideração as recomendações dos comandantes militares.

As pesquisas mostram que os americanos apóiam uma retirada rápida das tropas. No total, 146.000 soldados dos Estados Unidos estão mobilizados atualmente no Iraque.

No sábado, durante uma visita surpresa à base militar de Balad, ao norte de Bagdá, do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, o general Raymond Odierno revelou que militares americanos permanecerão em cidades do Iraque depois de junho de 2009 para aconselhar e treinar o Exército iraquiano.

O acordo de segurança assinado entre Bagdá e Washington prevê que as unidades de combate americanas deixem as cidades iraquianas até 30 de junho de 2009, segundo Odierno, que depois acrescentou: "Continuaremos dando nossa assistência às equipes de transição. Seguiremos fornecendo conselheiros às forças de segurança".

"É importante que possamos manter uma presença suficiente aqui para ajudar a superar este ano de transição", destacou o militar, antes de lembrar que os iraquianos comparecerão três vezes às urnas em 2009: eleições provinciais, legislativas e um referendo sobre o acordo de segurança assinado em novembro com os Estados Unidos.

Odierno não revelou quantos militares americanos permanecerão nas cidades depois de junho de 2009.

Neste domingo, o movimento do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, contrário à presença americana no Iraque, acusou os Estados Unidos de não ter palavra.

"Como havíamos previsto, as declarações são contrárias ao acordo de segurança", declarou à AFP o chefe do escritório político do movimento Sadr na cidade sagrada de de Najaf, Liwaa Sumeissim.

"Se rejeitamos o acordo é porque estávamos absolutamente convencidos de que os americanos nunca se sentirão comprometidos, sobretudo se isto for contra os motivos que os fizeram vir ao Iraque", acrescentou.

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