Bush estabelece equipe que coordenará transição presidencial

Macarena Vidal. Washington, 9 out (EFE) - A transição presidencial nos Estados Unidos começou oficialmente hoje, apesar de ainda faltarem quatro semanas para as eleições que definirão quem será o próximo líder do país: o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain. O presidente americano, George W. Bush, já assinou a ordem executiva que estabelece a equipe que coordenará a transição, primeiro com as duas campanhas e, depois, com o vencedor do pleito de 4 de novembro.

EFE |

A equipe de transição, denominada Conselho de Coordenação para a Transição Presidencial, será formada por funcionários especialistas em política econômica, segurança nacional e antiterrorismo, e será liderada pelo chefe de Gabinete da Casa Branca, Josh Bolten.

O grupo estará encarregado de se coordenar, primeiro, com as campanhas dos candidatos, "sem levar em conta a afiliação política", segundo a ordem presidencial, e, depois, com o vencedor do pleito, explicou hoje a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Tanto Obama quanto McCain já escolheram os representantes que se encarregarão de planejar a transição e de nomear funcionários para postos-chave assim que for anunciado o vencedor das eleições.

A proximidade do pleito é vista não só nos preparativos na Casa Branca, mas na ferocidade das trocas de acusações entre as duas campanhas.

Nos últimos dias, a campanha de McCain intensificou seus ataques sobre as ligações de Obama com William Ayers, professor na Universidade de Illinois que, nos anos 1960, fez parte do grupo Weather Underground, autor de vários atentados contra os poderes estabelecidos nos Estados Unidos.

Hoje, a campanha republicana emitiu um novo anúncio sobre a relação, a qual Obama afirma ter sido de meros conhecidos, já que o candidato democrata ressalta que, quando Ayers cometeu os atentados, o senador por Illinois tinha apenas oito anos.

No anúncio, um narrador diz que "o problema é o julgamento e a sinceridade de Barack Obama", e conclui que o candidato é "muito arriscado para os EUA".

Por sua parte, a campanha democrata, que investiu mais fundos em propaganda televisiva do que os republicanos, respondeu hoje com dois anúncios.

Em um, critica as propostas de reforma de saúde de McCain e, em outro, investe contra o plano do republicano para que o Governo compre as hipotecas dos proprietários de imóveis em dificuldades.

Os dois candidatos aumentaram o ritmo de seus atos políticos a menos de quatro semanas para as eleições e, enquanto Obama se encontra hoje em Ohio, McCain percorre o estado de Wisconsin, um dos de tendência democrata nos quais o republicano deseja surpreender.

Em seus comícios de hoje em Ohio, Obama criticou o plano hipotecário de McCain, ao afirmar que "os contribuintes não teriam que pagar a conta das pessoas que ajudaram a criar esta crise".

As pesquisas, em geral, favorecem Obama e lhe dão uma vantagem em torno dos cinco pontos percentuais sobre seu adversário.

O senador democrata também se encontra na frente de McCain na maioria dos estados indecisos, nos quais nenhum dos candidatos possui um apoio decisivo.

Os analistas começam a acreditar que essa vantagem dificilmente poderá ser revertida por McCain se a situação continuar como está.

A crise econômica da qual sofrem os EUA favoreceu Obama, já que, entre outras coisas, os eleitores tendem a confiar mais nos democratas para lidar com a economia e culpam a atual Administração republicana pelos problemas financeiros americanos.

Segundo o analista Larry Sabato, da Universidade da Virgínia, "sempre é possível, em teoria, que o debate presidencial final ou algum outro grande acontecimento, nacional ou internacional, dê um impulso a McCain, e ele recupere o terreno perdido".

No entanto, destaca Sabato, "cada vez resta menos tempo para sobressaltos importantes" neste pleito. EFE mv/db

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