Bush envia mensagem de apoio à entrada de Ucrânia e Geórgia na Otan

Macarena Vidal Kiev, 1 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, enviou hoje uma mensagem inequívoca de apoio às aspirações da Ucrânia e da Geórgia de integrarem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Bush afirma isto às vésperas de sua participação na cúpula da aliança, que começa amanhã em Bucareste.

O presidente americano se reuniu hoje com seu colega ucraniano, Viktor Yushchenko, no Secretariado Presidencial de Kiev e afirmou que os "EUA apóiam firmemente" o pedido dos dois países de receberem um plano de ação que abra o caminho para uma futura integração de ambos à Aliança Atlântica.

"Minha posição é completamente sólida, Ucrânia e Geórgia devem receber um plano de ação", declarou o líder americano, que afirmou que esta é a mensagem sobre a qual insistirá durante a cúpula de Bucareste.

"Recebemos o pleno apoio dos EUA para a adesão ao 'Plano de Ação' em Bucareste. Tenho certeza de que receberemos um sinal positivo na cúpula", declarou Yushchenko.

Entretanto, não está absolutamente claro que os 26 aliados aprovarão a abertura para as duas ex-repúblicas soviéticas apesar do apoio americano.

A Rússia se opõe a qualquer sinal para Kiev e Tbilisi com a mesma ferocidade com a qual Bush defende a iniciativa.

Diante da rejeição russa países-membros da Aliança, como a Alemanha, criticaram o plano de ação alegando fortes divisões internas e, no caso da Geórgia, a existência de conflitos separatistas.

Yushchenko afirmou que ouvir a Rússia neste caso equivaleria a permitir um "veto" por parte de um país que "nem mesmo é membro da Aliança" e disse que o pedido "não é uma política contra nenhum país".

O presidente ucraniano não quis se pronunciar sobre o que ocorreria se a Otan fechasse a porta para seu país e se limitou a afirmar que o plano de ação "é o melhor caminho possível" para garantir a continuidade das reformas e a estabilidade na Ucrânia.

O próprio Bush veio a admitir que não está claro o que poderá ocorrer em Bucareste, mas não se deu por vencido.

"Os países me disseram que a Rússia não terá um veto sobre o que ocorrerá em Bucareste e faço minhas as palavras deles. Eu não daria o resultado como certo, pois a votação será em Bucareste", declarou.

Segundo Bush, "convém à Otan e à Ucrânia que Kiev receba o plano de ação".

Neste sentido ele disse que a Ucrânia é o único país não-membro da organização atlântica que contribui em cada missão da Otan no Kosovo e no Afeganistão.

Os EUA acham que o "sim" da Aliança serviria para dar um firme apoio às reformas democráticas realizadas na Ucrânia desde a chamada "revolução laranja", que deu a vitória eleitoral a Yushchenko em 2004, e o ajudaria a combater problemas como a corrupção.

Nos últimos dias se especulou a possibilidade de um acordo entre Washington e Moscou pelo qual, em troca do "não" da Otan à Ucrânia e Geórgia, a Rússia levantaria suas objeções ao escudo antimísseis que os EUA querem posicionar no Leste Europeu.

O presidente americano rejeitou taxativamente a possibilidade: "Não haverá cambalacho, ponto". "Acho firmemente que Ucrânia e Geórgia devem receber um plano de ação", reiterou.

Bush e o presidente russo em fim de mandato, Vladimir Putin, devem tratar do escudo antimísseis no próximo domingo em Sochi (Rússia), na última etapa da viagem do líder americano ao Leste Europeu e que deverá ser a última reunião de ambos como chefes de Estado.

Moscou considera o escudo antimísseis "uma ameaça", enquanto os EUA afirmam que o sistema não está dirigido contra a Rússia e assegura que nesta reunião tentará buscar um sistema para dar garantias aos russos.

O escudo "não é um quebra-galho anti-russo", afirmou Bush, que admitiu que acalmar os temores de Moscou exigiria "muito trabalho, mas estão sendo obtidos progressos nessa frente". EFE mv/ev/fal

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