Bush encerra giro por Oriente Médio sem anunciar progressos concretos

O presidente americano, George W. Bush, deixou neste domingo o Oriente Médio deixando um clima de ceticismo e ressentimento, e sem sinais aparentes de que seus esforços para chegar a um acordo de paz entre Israel e os palestinos tenham avançado.

AFP |

Os cinco dias pela região, boa parte em Israel, lembraram sua visita anterior em janeiro, quando não conseguiu avançou nem convenceu a Arábia Saudita a intervir na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para que aumente a produção.

"Acredito firmemente que assumindo as responsabilidades e mostrando coragem podemos alcançar um acordo de paz esse ano", disse Bush no Fórum de responsáveis econômicos e político na região, organizado em Sharm el-Sheikh, Egito.

"É uma tarefa exigente, que requer que todas as partes atuem. Os palestinos devem combater o terrorismo e continuar construindo as instituições de uma sociedade livre e pacífica. Israel terá que fazer duros sacrifícios pela paz e aliviar as restrições impostas aos palestinos", explicou.

Contudo, a nova rodada de conversações com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert na semana passada em Jerusalém, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas no sábado, não conquistou nada de significativo.

"Temos visto claramente que fizemos progressos, mas não chegamos no ponto em que o presidente possa manter uma reunião com o presidente Abbas e o primeiro-ministro Olmert", declarou um conselheiro presidencial americano, Stephen Hadley.

O conselheiro descreveu Bush como um "otimista" e não descartou uma nova visita do presidente à região, a terceira em um ano.

Hadley assinalou "progressos tangíveis" nas questões que preocupam israelenses e palestinos, como fronteiras, refugiados e Jerusalém.

Contudo, o conselheiro disse que era manter essas questões, por enquanto, sem maiores informações, o que gerou mais pessimismo.

Bush também gerou duras críticas após um polêmico discurso no parlamento de Israel (Knesset) em que a criação de um Estado palestino foi citada como algo a longo prazo.

"O discurso de Bush na Knesset nos deixou furiosos", afirmou Abbas, citado pela agência oficial egípcia Mena, após uma entrevista com o presidente deste país, Hosni Mubarak, em Shanrm el Sheik.

O presidente palestino explicou que havia comunicado seu descontentamento ao presidente americano, durante um encontro que teve com ele no sábado.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, afirmou por sua vez, também neste domingo que os árabes não darão apoio a um acordo de paz no Oriente Médio que não atenda reivindicações palestinas.

"Aqueles que acreditam que irá se apoiar um acordo que não atenda (as reivindicações palestinas) estão equivocados", declarou na abertura do Fórum Econômico Mundial sobre Oriente Médio em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Sobre as questões territoriais, as negociações entre israelenses e palestinos foram prejudicas pelo aumento da tensão na Faixa de Gaza, onde o Estado Hebreu tem realizado numerosos ataques aéreos e terrestres para tentar encerrar com os freqüentes disparos de foguetes contra seu território.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou no domingo que uma decisão de Israel sobre a faixa de Gaza está "muito próxima".

"Estamos convencidos de que, sob nenhuma circunstância, podemos permitir que a situação no sul (de Israel) continue como nos últimos meses", declarou Olmert, no início do conselho de ministros semanal.

Tanto os palestinos quanto os árabes já deixaram claro que Bush deveria pressionar os israelenses para que façam mais concessões, já que temem que o presidente americano concorde com um acordo mínimo.

lal/fb

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