Bush e Sarkozy lamentam rejeição do Irã à proposta sobre programa nuclear

Macarena Vidal Paris, 14 jun (EFE) - Os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy, expressaram hoje decepção com a recusa do Irã à oferta internacional de fornecer incentivos para que o país abandone suas atividades nucleares.

EFE |

Ambos os chefes de Estado concederam hoje uma entrevista coletiva depois de se reunirem por uma hora e meia para analisar o programa nuclear iraniano, falar sobre o Afeganistão, a situação no Oriente Médio, a Rodada de Desenvolvimento de Doha e a mudança climática, entre outros assuntos.

"Estou decepcionado com os líderes rejeitarem esta generosa oferta", afirmou Bush, que acrescentou que a recusa de Teerã "representa uma indicação ao povo iraniano de que seus líderes estão dispostos a isolar todos ainda mais".

Sarkozy afirmou que o povo iraniano "merece algo melhor do que o ponto morto a que alguns dos líderes estão levando o país".

O Governo iraniano declarou hoje que não tem intenção de suspender seu enriquecimento de urânio, após a chegada a Teerã do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, com uma proposta de incentivos ao país em troca da renuncia às atividades.

Solana apresentou a proposta em nome da União Européia (UE) e dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) e a Alemanha.

Bush é a favor de impor sanções mais duras ao Irã se o país continuar com suas atividades nucleares, especialmente o enriquecimento de urânio, e dedicou boa parte da viagem que faz pela Europa para tentar convencer os aliados do continente a apoiarem suas idéias.

Em uma alusão à possibilidade de ataque militar, o presidente americano reiterou que "todas as opções estão sobre a mesa".

Até o momento, as sanções existentes apresentadas em três resoluções da ONU não conseguiram persuadir o regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Os dois líderes também enviaram uma advertência à Síria para que se mantenha afastada das atividades nucleares iranianas.

"Diria a eles (sírios) para pararem de flertar com os iranianos e de acolherem terroristas... e também diria para deixarem claro a sua vontade em abandonar as atividades nucleares", disse Bush.

Sarkozy disse que a Síria deve "se distanciar" das tentativas de Teerã de conseguir armamento nuclear.

Os presidentes, que também trataram de assuntos como a mudança climática e a rodada de Doha, analisaram a situação no Oriente Médio.

O presidente americano afirmou que ainda é possível chegar a um acordo de paz entre israelenses e palestinos antes do fim de seu mandato, em janeiro.

"Agora é o momento de conseguir um acordo", destacou, e mencionou Jerusalém e os assentamentos israelenses.

"Os palestinos estão desestimulados pela permanência dos assentamentos, uma razão a mais para estabelecer as fronteiras de um Estado" palestino que possa viver em paz e liberdade com seu vizinho, afirmou o presidente dos EUA.

Bush aludiu também às negociações com o Iraque sobre a situação das tropas americanas desdobradas no país árabe a partir do próximo ano, assim que expirar o mandato da ONU que legaliza essa presença.

"Chegaremos a um acordo", afirmou Bush, que lembrou que certamente será convidado pelas autoridades iraquianas para ir ao Iraque - já que se trata de um país soberano -, e que trabalhará para se adequar às exigências.

O chefe de Estado americano também teve cuidado ao dizer que o pacto a ser alcançado não estabelecerá bases militares permanentes no Iraque nem comprometerá seu sucessor a manter tropas no país.

Sexta-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, afirmou que essas conversas chegaram a um ponto morto.

Em sua entrevista coletiva, Bush e Sarkozy também deram por encerrado a divergência entre seus países após a Guerra do Iraque e garantiram que, embora possa haver discordâncias pontuais, a relação é "excelente".

Em um discurso mais rápido, Bush elogiou a esposa de Sarkozy, Carla Bruni, e afirmou que, após ter jantado com os dois na noite passada, no Palácio do Eliseu, pôde entender o porquê de o presidente francês ter se casado com ela. EFE mv/pq/db

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