Bush e Putin fazem última reunião sem expectativas sobre escudo antimísseis

Macarena Vidal Sochi (Rússia), 5 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, e seu colega russo, Vladimir Putin, iniciaram este sábado em Sochi, na Rússia, seu último encontro como presidentes, realizado com a promessa de delinear a relação entre seus sucessores, mas sem esperanças de um acordo sobre o escudo antimísseis.

Os dois presidentes começaram o encontro de hoje de forma informal, sem gravatas e com apertos de mãos, em Bocharov Ruchey, residência do presidente russo.

Imediatamente Putin levou seus convidados ao segundo andar para mostrar uma grande maquete sobre os preparativos dos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados em Sochi em 2014.

"E este é seu iate", brincou o dirigente russo com Bush ao lhe mostrar um pequeno barco de cerca de dez centímetros sobre uma superfície azul que representava a água.

A reunião continuou com um jantar no qual os dois presidentes estiveram acompanhados de suas esposas, Laura Bush e Ludmila Putin, e que contou também com a participação do novo chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev, que assumirá o cargo no dia 7 de maio.

Embora o jantar tenha sido chamado de "social", a Casa Branca disse que nele já se pode começar a tratar os grandes temas da reunião, que tem como objeto estabelecer um "marco estratégico" que sirva de guia para as relações entre Medvedev e o próximo presidente americano, cargo que Bush deixará em janeiro de 2009.

A Casa Branca descartou o que se esboçava como o possível grande anúncio da reunião: um acordo sobre o escudo antimísseis que os EUA querem posicionar no leste europeu e que se transformou, nos últimos meses, em um dos pontos mais conflituosos da relação entre os dois países.

"Vamos ter de trabalhar mais após Sochi", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, em declarações a bordo do avião presidencial Air Force One, que levou Bush a Sochi após deixar Zagreb, onde o líder americano parabenizou os países recém-admitidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Croácia e Albânia.

Segundo Perino, o anúncio de um acordo seria "prematuro".

"Ninguém disse que tudo estaria terminado e que todo mundo estaria satisfeito com os preparativos, pois nem sequer começamos os aspectos técnicos do sistema", afirmou.

Antes do início da viagem de Bush esta semana ao leste europeu, os EUA expressaram sua esperança de incluírem a defesa antimísseis dentro do "marco estratégico", ao considerarem que foram conquistados avanços nas negociações.

Moscou considera o escudo antimísseis "uma ameaça" a seu território. Em princípio o mesmo constará de dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia - para o qual Washington ainda negocia com Varsóvia - e um radar na República Tcheca, com quem os EUA já chegaram a um entendimento.

Washington assegura a Moscou que o escudo não se dirige contra a Rússia, mas contra possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio.

Para acalmar os temores de Moscou, os EUA ofereceram diversas garantias, como a possibilidade de que a Rússia inspecione as instalações ou o atraso da ativação do dispositivo até que o Irã - ou outro país hostil no Oriente Médio - efetue um teste de mísseis balísticos contra a Europa.

Os dirigentes continuarão amanhã suas conversas em sessões de trabalho. Bush se reunirá primeiramente com Putin e depois com Medvedev, antes de uma entrevista coletiva conjunta. Os três almoçarão juntos antes que o presidente americano retorne a Washington.

Perino disse que em suas conversas, Bush comentará sobre o que considera um corte das liberdades e dos direitos humanos na Rússia, como fez no passado.

Os dirigentes também devem abordar outro grande desacordo em sua relação - a ampliação da Otan em direção ao leste europeu, que Bush defende com grande entusiasmo e que Putin vê como uma invasão de sua esfera de influência. EFE mv/mac/fal

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