Bush e o momento de anunciar as últimas grandes decisões

O presidente George W. Bush tem pouco mais de dois meses para conseguir aprovar uma reforma do sistema financeiro, solucionar as condições da ocupação militar no Iraque e, quem sabe, capturar Osama bin Laden.

AFP |

Em um contexto difícil para a transição presidencial, Bush tem desde terça-feira à noite mais um fator complicador: a eleição de Barack Obama à presidência.

O impopular Bush rompeu na quarta-feira o silêncio observado durante os últimos dias de campanha, mas não deu sinais de que vai abrir mão de qualquer prerrogativa até o momento de deixar a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2009.

"Há um importante trabalho por fazer nos próximos meses, e seguirei conduzindo as coisas do povo durante o período que o cargo estiver a meus cuidados", disse Bush, que prometeu manter o sucessor "totalmente informado das decisões importantes".

"Sempre disse que correria até a linha de chegada, e mantém a palavra", disse a porta-voz Dana Perino.

A questão é saber como Bush vai considerar Obama nas últimas decisões dos oito anos de sua presidência.

Nos próximos dias, Washington vai abordar formalmente as condições da presença militar americana no Iraque depois de 31 de dezembro.

Estados Unidos e Iraque - invadido pelos americanos em março de 2003 - têm, a princípio, até o fim de 2008 para chegar a uma decisão sobre a ocupação.

No atual estado das coisas, os soldados americanos sairiam do Iraque ao fim de 2011. Embora Bush pareça resignado com o prazo, este é maior que o plano de Obama, que prometeu uma retirada das tropas em 16 meses.

Bush também tem em mãos a revisão da estratégia da ocupação no Afeganistão e uma grave crise financeira.

Alguns parceiros de Washington desejam a adoção de medidas financeiras concretas para reformar um quase falido sistema financeiro.

O governo Bush se nega a assumir o compromisso de que a reunião de cúpula internacional em Washington no dia 15 de novembro resulte em tais medidas.

Caso o governo considera o encontro o primeiro de uma série existe a possibilidade de que o próximo aconteça quando Bush não for mais presidente.

Diante de uma das principais causas da tragédia financeira, o atual governo ainda tem algumas semanas para elaborar um plano e ajudar milhões de proprietários ameaçados de perders suas casas.

Bush também é pressionado pelos adversários democratas, que exigem um segundo plano de resgate econômico, antes mesmo do fim de seu mandato.

Até agora, o governo Bush tem hesitado. Afirma que o que ajudaria a economia seria a ratificação pelo Congresso dos acordos de livre comércio com Coréia do Sul, Colômbia e Panamá.

A ratificação dos acordos é a principal expectativa de Bush quando o Congresso voltar a se reunir, de acordo com Dana Perino.

A não ratificação entraria para lista de tarefas inacabadas de Bush, que vão da guerra do Iraque a um acordo de luta contra o aquecimento global.

Além disso, o idealizador dos atentados que mudaram o curso de sua presidência permanece livre.

"Todos os dias tentamos capturar a Osama bin Laden para que seja julgado", afirma Perino.

lal/fp

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