Bush e líderes da UE se encontram para discutir a crise

Washington - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se encontra neste sábado em Camp David, Maryland, com o presidente da França e da União Européia, Nicolas Sarkozy, e com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, para discutir soluções para a crise econômica internacional.

BBC Brasil |

"Nossos parceiros europeus estão adotando medidas corajosas, que mostraram ao mundo que estamos determinados a superar este desafio juntos, e têm o apoio integral dos Estados Unidos", afirmou Bush durante um pronunciamento nesta sexta-feira.

Um dos principais temas do encontro foi proposto na última quarta-feira por Sarkozy, após uma reunião de cúpula da União Européia.

Sarkozy e os líderes europeus pretendem apresentar a Bush o que o francês está classificando como "plano de refundação do sistema financeiro mundial".

Para dar início a esse processo, a UE quer convocar "antes do final do ano" uma reunião entre o G8 que também pode contar com a presença de economias emergentes, entre elas o Brasil, China, Índia e África do Sul.

Novo Bretton Woods?

Na mesma cúpula, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, um dos autores da proposta que será apresentada a Bush, afirmou que o mundo precisa de um novo acordo de Bretton Woods.

Assinados em 1944 pelos países mais industrializados na época, os acordos conhecidos como Bretton Woods (cidade americana que foi cenário das negociações) estabeleceram as regras para as relações comerciais e financeiras internacionais.

"Essa reconstrução pede exatamente a mesma visão que mostramos nos anos 40, quando criamos o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial e a ONU (Nações Unidas)", afirmou Brown.

Semana volátil

O encontro entre Bush os líderes europeus acontece depois de uma semana cheia de altos e baixos para os mercados globais.

O índice Dow Jones fechou a sexta-feira em baixa de 1,4%, com 8.852,22 pontos, após a divulgação de novos dados negativos sobre o desempenho da economia americana.

O governo americano divulgou dados que confirmam uma queda maior do que a esperada na construção de novas casas no país. Segundo o Departamento de Comércio, a construção caiu 6,3% em setembro.

Além disso, uma pesquisa divulgada pela Universidade de Michigan nesta sexta-feira aponta que o nível de confiança do consumidor americano na economia teve, no início de outubro, a segunda pior queda dos últimos 28 anos.

Apesar da queda de sexta, o Dow Jones conseguiu fechar a média da semana com alta de 4,8%.

A variação indica que os investidores permanecem inseguros quanto aos efeitos das medidas anunciadas nos Estados Unidos e na Europa para conter a crise financeira global, mas representa uma melhoria em relação à semana passada, quando Wall Street registrou perdas maiores e os investidores perderam bilhões de dólares.

As ações européias também tiveram uma semana volátil, mas os principais índices tiveram alta nesta sexta-feira.

Em Londres, o FTSE 100 fechou com ganhos de 5,2%, enquanto o Dax alemão teve alta de 3,4% e o francês Cac 40 de 4,7%.

No acumulado da semana, o FTSE 100 teve ganhos de 3,3%, o Dax de 5,5% e o Cac 40 ganhou 4,8%.

"Esta foi a semana mais volátil que eu já vi", disse à BBC Thierry Lacraz, estrategista do banco suíço Picket.

Demora

Ainda nesta sexta-feira, o presidente George W. Bush fez um novo pronunciamento para procurar acalmar os investidores e os contribuintes americanos, temerosos quanto à eficiência do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo governo dos Estados Unidos para ajudar os mercados há duas semanas.

Ele, no entanto, afirmou que o pacote econômico vai demorar para ter impacto na economia.

"As ações vão demorar mais tempo para ter seu impacto completo", disse o presidente.

"Demorou um pouco para o sistema de crédito congelar, e vai demorar um pouco para o sistema de crédito descongelar", disse.

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