Bush e Irã se envolvem em partida de pôquer retórica sobre programa nuclear

Macarena Vidal Berlim, 11 jun (EFE).- Na grande partida de pôquer retórica que é a disputa sobre o programa nuclear iraniano, tanto o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, quanto o do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aumentaram hoje suas apostas.

Em entrevista coletiva com a chanceler alemã, Angela Merkel, após uma reunião em Mesenberg, nos arredores de Berlim, Bush lançou hoje uma dura advertência a Teerã ao afirmar que a diplomacia é a opção preferida para lidar com esta questão nuclear, mas que "todas as opções estão sobre a mesa".

Bush está em uma viagem pela Europa que tem como objetivo tanto se despedir do Velho Continente quanto persuadir os aliados a endurecerem suas posições em relação à República Islâmica.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, viajará na semana que vem para Teerã com a intenção de apresentar às autoridades iranianas um novo conjunto de incentivos econômicos caso o país renuncie a suas atividades nucleares, principalmente ao enriquecimento de urânio.

Solana atua em representação do chamado Grupo dos Seis, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) e Alemanha.

Bush lançou uma forte ofensiva diplomática para deixar claro ao Irã que, além de incentivos, também haverá sanções caso o regime dos aiatolás não atenda às exigências da comunidade internacional.

Até agora, a ONU impôs sanções, a maior parte delas simbólicas, distribuídas em três resoluções diferentes, porém o Irã continuou com suas atividades atômicas.

"Nossa posição é a de que devemos reforçar as sanções que já existem e que deveríamos colaborar com nossos aliados para aplicar sanções adicionais caso os iranianos optem por continuarem fazendo caso omisso das exigências do mundo livre", declarou o presidente americano.

Embora a opção preferida neste momento seja a via diplomática "todas as opções estão sobre a mesa", explicou.

Bush aumentou assim o tom sobre a disputa, depois de a Eslovênia ter se referido a novas sanções durante a Cúpula União Européia (UE)-Estados Unidos.

O presidente americano usou com freqüência a expressão "todas as opções estão sobre a mesa".

Por outro lado, Merkel se mostrou mais conciliadora ao afirmar que seu país deseja "dar à via diplomática uma oportunidade para funcionar, mas é uma questão que devemos resolver".

Caso Teerã não ceda, "haverá a necessidade de aplicar novas sanções", declarou, concordando com a declaração assinada ontem na Eslovênia entre UE e EUA.

A chanceler alemã expressou sua preferência por sanções dentro do âmbito da ONU, pois "quanto mais países as aplicarem mais efetivas serão", mas não descartou iniciativas unilaterais da UE, como medidas no setor bancário.

Se Bush elevou o tom retórico, Ahmadinejad respondeu na mesma moeda.

O presidente iraniano disse hoje que "os inimigos" do Irã "são incapazes" de atuar para suspender o programa nuclear do país, que, segundo ele, "continuará". Além disso, afirmou que a República Islâmica "sairá vitoriosa".

"Bush não pode dirigir nenhuma ofensa ao povo iraniano, nem causar dano a um palmo de nosso território", disse Ahmadinejad, sinalizando que pensa em rejeitar a oferta que será apresentada por Solana.

Bush deve seguir hoje para a Itália, onde o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, expressou o interesse italiano de se juntar ao Grupo dos Seis.

A Itália é o primeiro parceiro europeu do Irã por volume de negócios.

Depois Bush fará escalas na França e no Reino Unido, outros dois países-membros do Grupo dos Seis.

Na entrevista coletiva de hoje Bush e Merkel falaram, além da questão iraniana, de assuntos como Afeganistão, Oriente Médio e a necessidade do êxito das negociações comerciais da Rodada de Doha.

Merkel citou a alta do preço dos alimentos e da energia para reiterar a necessidade de promover novas tecnologias e padrões internacionais para os biocombustíveis que não provoquem uma "competição" com os cultivos destinados à alimentação. EFE mv/wr/fal

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