Macrena Vidal. Washington, 7 jan (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje conselhos e recomendações de todos seus antecessores vivos em um almoço na Casa Branca, o qual qualificou de uma reunião extraordinária.

Os ex-líderes Jimmy Carter, George H. W. Bush e Bill Clinton, junto ao presidente atual, George W. Bush, compartilharam hoje com Obama um almoço que durou uma hora, na primeira vez, desde 1981, que os governantes dos EUA vivos se reúnem.

O almoço foi a portas fechadas, mas, antes, os cinco compareceram perante a imprensa no Salão Oval para uma sessão de fotos.

Bush, o atual chefe da Casa Branca, ficou no centro, junto a Obama e Clinton. Nos extremos ficaram Bush pai e Jimmy Carter. Todos apareceram sorridentes e relaxados.

Em breves declarações, o presidente americano assegurou a Obama, que assumirá o poder em 20 de janeiro, que todos querem "que tenha êxito".

"Democratas ou republicanos, todos amamos este país, e, na medida do possível, temos muita vontade de compartilhar nossas experiências com você. Todos que ocupamos este escritório entendemos que o cargo está acima do indivíduo", acrescentou Bush.

Obama agradeceu a Bush por ter concordado em ser o anfitrião "desta extraordinária reunião", e afirmou que, ao longo do almoço, espera receber "bons conselhos e camaradagem" dos antecessores na Casa Branca.

"Todos estes cavalheiros presentes entendem tanto as pressões quanto as possibilidades deste cargo", ressaltou Obama, no que foi apoiado pelo atual chefe de Estado.

Esta foi a primeira reunião de todos os presidentes americanos vivos desde 1981, quando Ronald Reagan recebeu Carter, Richard Nixon e Gerald Ford antes do enterro do líder egípcio assassinado Anwar el-Sadat.

Os governantes americanos pouco se reúnem e, quando o fazem, em geral, se deve a motivos de grande solenidade, como um funeral de Estado.

Antes do encontro de hoje, Obama e Bush se reuniram sozinhos no Salão Oval por cerca de meia hora, em uma conversa na qual era esperado que falassem sobre a situação econômica e as tensões no Oriente Médio.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou hoje que Bush e Obama desenvolveram uma boa relação, em parte porque "puderam manter em particular suas conversas".

Ao longo das semanas de transição, Obama teve o cuidado de evitar se pronunciar sobre assuntos de política externa.

Hoje mesmo, durante uma entrevista coletiva para anunciar uma nomeação de sua equipe econômica, rejeitou novamente falar sobre a situação em Gaza, alegando que não se pode "ter dois Governos que organizem a política externa ao mesmo tempo".

No entanto, assegurou que, quando tiver assumido o cargo, se envolverá "imediatamente" para tentar chegar a uma solução ao conflito no Oriente Médio.

O governante eleito se pronunciou com mais freqüência sobre o desempenho da economia, que considera que se encontra em uma situação "atroz", e propõe a adoção de um plano de relançamento econômico estimado em entre US$ 675 bilhões e US$ 775 bilhões.

O vice-presidente eleito, Joe Biden, deve viajar na sexta-feira ao sul da Ásia dentro de uma missão do Congresso, embora a viagem tenha sido interpretada como um sinal das prioridades do próximo Governo em política externa. EFE mv/db

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