Macarena Vidal Roma, 12 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, disse hoje que vai respeitar a decisão da Suprema Corte de que os presos em Guantánamo têm o direito de ir à uma corte civil americana, apesar de não concordar com ela.

Bush se pronunciou sobre a decisão em uma entrevista coletiva junto com primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, com quem se reuniu hoje em Roma para tratar do programa nuclear iraniano e a situação do Afeganistão, entre outros assuntos.

Visivelmente chateado, o presidente americano afirmou que vai acatar a decisão do Tribunal, mas que isso não quer dizer que esteja de acordo com ela.

Bush lembrou que a sentença foi emitida por cinco votos a quatro.

"Foi um tribunal muito dividido, e estou muito de acordo com os que dissentiram", disse o presidente.

Segundo ele, essa divergência dos juízes "se baseou em suas graves preocupações sobre a segurança nacional dos EUA".

O presidente americano disse que seu Governo vai estudar a sentença para determinar se introduz uma nova legislação "que possa ser adequada para que possamos dizer de verdade aos cidadãos americanos que fazemos o possível para lhes proteger".

A Suprema Corte dos EUA reconheceu o direito dos presos de Guantánamo de irem às cortes federais para reivindicar sua libertação, o que é um grande revés para o Governo Bush.

É a terceira decisão da máxima corte americana que estende direitos a um lugar que o governo dos EUA quis deixar à margem de qualquer lei, inclusive dos tratados internacionais.

O magistrado Anthony Kennedy escreveu a decisão em nome da maioria e nela declarou que "as leis e a Constituição são feitas para sobreviver e continuar vigentes em momentos extraordinários. A liberdade e a segurança podem ser reconciliadas".

Por outro lado, Antonin Scalia, talvez o juiz mais conservador dos nove que compõem a máxima corte americana, advertiu que "a nação lamentará o que o Tribunal decidiu hoje".

Bush fez as declarações depois de se reunir com Berlusconi durante uma hora, em uma conversa que continuará durante o jantar.

Na reunião, a primeira dos dois velhos aliados políticos desde a volta de Berlusconi ao poder, os líderes conversaram sobre o programa nuclear iraniano.

O presidente americano disse que se o Irã não aceitar a oferta de incentivos econômicos que será proposta na próxima semana, será necessário recorrer a sanções mais duras para convencer Teerã a renunciar a suas atividades para enriquecer urânio.

O chefe de Governo americano, que em sua viagem a Europa passou por Brdo (Eslovênia) e Berlim, tentou persuadir seus aliados europeus para que apóiem novas sanções.

Os dois líderes falaram sobre o desejo da Itália - maior parceiro comercial de Teerã - de se incorporar ao "grupo dos seis", os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e Alemanha, que negociam com o Irã para que esse país desista de seu programa nuclear.

Bush afirmou que "considerará seriamente" as aspirações italianas. Antes, seu conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, jogou um balde de água fria nesses desejos ao dizer que Roma deve dar prioridade a segurança nacional e não a seus interesses comerciais.

Já Berlusconi disse que ele e Bush conversaram sobre impedimentos legislativos que até agora limitam a presença de mais de 2 mil soldados italianos no norte do Afeganistão, região menos problemática.

Os altos preços dos alimentos e da energia, assim como a mudança climática, a situação no Kosovo ou a próxima cúpula do G8, a ser realizada no Japão em julho, fizeram parte também das conversas entre os dois.

Bush, que encerrará a visita a Roma com uma audiência com o Papa Bento XVI no Vaticano, expressou seu interesse na cúpula convocada pela Arábia Saudita de consumidores e produtores de petróleo para tratar sobre os altos preços, dizendo que os EUA enviarão uma delegação de alto nível, mas ele mesmo não irá. EFE mv/rb

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