Bush diz que reação lenta ao 11 de Setembro foi para evitar pânico

Pela primeira vez, depois de 10 anos, ex-presidente americano justificou falta de reação ao receber notícia do ataque de segundo avião em NY como tentativa de transmitir calma

Carolina Cimenti, especial para o iG, Nova York |

Quase 10 anos depois dos ataques do 11 de Setembro, o ex-presidente americano George W. Bush justificou sua aparente falta de reação ao receber a notícia de que um segundo avião havia se chocado contra o World Trade Center como uma decisão de transmitir uma aura de calma em meio à crise.

Em entrevista ao canal de televisão da National Geographic, Bush finalmente explicou o que passava por sua mente no momento mais dramático de sua presidência, assim como a falta de expressão no seu rosto e a lenta reação, quando visitava uma escola infantil na Flórida no dia 11 de Setembro de 2001.

“A minha primeira reação foi de raiva. Quem diabos faz uma coisa assim contra a América? Depois eu foquei imediatamente nas crianças, e no contraste entre o ataque e a inocência delas”, afirmou referindo-se ao momento em que um assessor lhe cochichou a notícia ao ouvido. Somente alguns minutos depois, Bush se deu conta de que as pessoas estavam observando a sua reação. “Então tomei a decisão de não sair correndo imediatamente daquela sala de aula. Eu não queria deixar as crianças nervosas. Eu queria projetar um senso de calma”, disse Bush.

O ex-presidente levou dez anos para explicar os sete minutos que levou para ter algum tipo de reação frente à notícia. Durante anos, Bush foi fortemente criticado pela lentidão e falta de expressão naquele momento de crise.

O documentarista Michael Moore chegou a mostrar a cena em seu filme Fahrenheit 9/11 (no vídeo abaixo, em inglês), para questionar a posição do ex-presidente americano. A imagem também foi amplamente utilizada por críticos opositores de Bush.

Vídeo (em inglês) mostra reação de Bush:

O ex-presidente americano disse na entrevista também que enquanto aguardava e tentava demonstrar calma e segurança, podia ver os jornalistas no fundo da sala de aula recebendo as informações sobre os ataques nos seus telefones celulares. “Era como assistir a um filme mudo”, disse. “Eu já havia passado por crises suficientes para saber que o que um líder deve fazer é sempre projetar calma”, afirmou.

*Com Reuters

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