Macarena Vidal Washington, 24 abr (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, expressou hoje sua confiança em que israelenses e palestinos chegarão a um acordo sobre os termos de um Estado palestino até janeiro, apesar da atual estagnação das negociações.

Bush se reuniu hoje no Salão Oval da Casa Branca com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O objetivo do encontro foi tentar impulsionar o processo de paz e respaldar o líder moderado - enfraquecido desde que o grupo radical Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza no ano passado - antes de uma viagem pelo Oriente Médio, em maio.

Depois da reunião, o presidente americano afirmou que o "ponto essencial" das negociações entre israelenses e palestinos é "definir um Estado palestino que seja aceitável para ambas as partes".

Após garantir que a criação desse Estado é "uma prioridade para o Governo", ele considerou que "poderemos conseguir" essa definição até janeiro, quando expira seu mandato.

"Israel e o povo palestino precisam ter dirigentes que desejam colaborar para conseguir o estabelecimento desse Estado", declarou Bush.

Por sua parte, Abbas advertiu: "Acredito firmemente que o fator tempo é essencial" para conseguir essa meta, e pediu para que não se perca tempo nos "esforços para conseguir a paz".

"Não posso dizer que o caminho para a paz esteja semeado de flores. Está semeado de obstáculos. Mas, juntos, poderemos trabalhar muito duro para eliminar esses obstáculos e conseguir a paz", disse o presidente da ANP.

Em novembro, na cúpula de Annapolis (Estados Unidos), israelenses e palestinos se comprometeram a chegar, até o final do ano, a um acordo, que Bush espera que possa fazer parte de seu legado.

Mas o processo de paz, desde então, não conseguiu avanços, como admitiu hoje a Casa Branca.

Os palestinos querem chegar a um acordo marco que estabeleça um calendário com datas precisas para a criação de seu Estado, enquanto Israel insinuou que prefere uma mera declaração de intenções.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, "embora tenham sido mantidas conversas entre os dois, as tensões continuam muito altas em muitos dos assuntos", entre eles os assentamentos israelenses nos territórios ocupados.

Os EUA "tentam encontrar uma área onde pressionar" para conseguir resultados, e continuam esperançosos em chegar a um acordo para janeiro, mas "ainda temos muito trabalho pela frente".

Bush voltará a se reunir com Abbas na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh durante sua viagem de maio, na qual deve visitar também a Arábia Saudita e Israel, para participar das comemorações do 60º aniversário do Estado judeu.

Para tentar obter avanços no processo de paz durante essa viagem - inicialmente, a reunião de Sharm el-Sheikh incluiria também o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, embora as partes tenham admitido que a possibilidade é remota -, o Governo Bush iniciou uma intensa ofensiva diplomática.

O próprio Bush se reuniu na quarta-feira na Casa Branca com o rei Abdullah II da Jordânia, que pediu que pressione para um processo de paz entre israelenses e palestinos que se desenvolva "segundo bases claras" e em "prazos fixos".

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve viajar a Israel e Cisjordânia durante a primeira semana de maio, além de participar de uma conferência de países doadores aos palestinos organizada em Londres pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual mediador internacional para o Oriente Médio Tony Blair.

Rice se reuniu na quarta-feira com Abbas no Departamento de Estado americano e, segundo fontes palestinas, o líder pediu mais pressão para conseguir que Israel interrompa a expansão de seus assentamentos nos territórios ocupados.

Em discurso perante o Instituto Árabe-Americano, Abbas afirmou que os palestinos são "sérios sobre a manutenção de conversas sérias para conseguir um acordo no final deste ano, mas as diferenças ainda são grandes entre nós e os israelenses". EFE mv/db

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