Bush deixará Governo como um dos presidentes mais impopulares da história

Washington, 5 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, que iniciou seu mandato sob a sombra dos atentados de 11 de Setembro e deixa o Governo sob o peso de uma grave crise econômica, encerra seu período como chefe da Casa Branca na condição de um dos líderes mais impopulares da história.

Bush, que deixará oficialmente o cargo em 20 de janeiro, será substituído pelo democrata Barack Obama, que herdará vários problemas pendentes de resolução, como a crise econômica e a situação conflituosa no Iraque e Afeganistão.

A vitória incontestável de Obama nas eleições presidenciais desta terça-feira é o principal sinal do fracasso de Bush na administração do Estado mais poderoso do mundo.

Os oito anos de administração Bush foram apontados como um dos principais complicadores da campanha do também republicano John McCain na briga pela Casa Branca.

De acordo com Gary Jacobson, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, "a principal razão da derrota de McCain é George W. Bush".

Atualmente, 72% dos americanos estão insatisfeitos com o Governo Bush, o maior nível de rejeição a um governante desde que a popularidade dos presidentes começou a ser medida, na década de 1930.

McCain fugiu de qualquer ato conjunto com o presidente, mas Obama vinculou de forma incessante a imagem de seu rival com a de Bush.

O caso mais grave a ser resolvido após o fim da administração atual, sem dúvida, será a crise econômica, que condicionará o comportamento de Obama pelo menos em seu primeiro ano no poder, se não nos dois primeiros.

Bush fez inúmeros discursos públicos sobre o desempenho da economia, mas sua grande impopularidade impediu que tais declarações acabassem por tranqüilizar o eleitorado.

A economia não será a única decisão difícil a esperar por Obama em seus primeiros meses no poder.

Ainda não está fechado o acordo com o Governo iraquiano sobre o futuro das tropas americanas no país asiático. Muitos acreditam que essa presença seria oficializada para os próximos três anos.

A Casa Branca assegura que tais negociações avançam com fluência, e Bush, que deixará no conflito no Iraque seu legado como presidente, espera poder completar o pacto antes do término de seu mandato.

Mas corresponderá a Obama determinar quando e como esses soldados, atualmente cerca de 140 mil, voltarão para casa. O democrata é partidário de uma retirada gradual ao longo de um ano e meio.

Outra grande "batata quente" que Bush deixará é a situação envolvendo o Afeganistão, onde o movimento talibã ressurgiu e a rede terrorista Al Qaeda encontrou refúgio na área fronteiriça do nordeste do Paquistão.

Obama já se mostrou partidário de uma intervenção no Paquistão caso seja necessário.

Bush também se comprometeu a resolver antes de deixar sua residência no número 1.600 da Avenida Pensilvânia a obtenção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, algo que parece cada vez mais improvável.

A renúncia do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, devido a um escândalo de corrupção, estagnou ainda mais conversas de paz que este ano já tinham obtido progressos mínimos.

É possível que Bush também não consiga resolver nos dois meses e meio de mandato que lhe restam a aprovação no Congresso dos tratados de livre-comércio pendentes com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul.

Mas, no longo prazo, a maior tarefa que o presidente americano deixará a Obama será a de restabelecer o prestígio dos EUA no exterior - muito influenciado por causa do conflito no Iraque - e a esperança do eleitorado.

Recuperar o otimismo entre os americanos será uma tarefa difícil.

Obama, no entanto, terá algo a seu favor para conquistar o objetivo: não será Bush. EFE mv/fr/mh

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