Bush deixa decisão sobre retirada de tropas do Iraque para o sucessor

Macarena Vidal. Washington, 9 set (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou hoje que o número de soldados americanos no Iraque não sofrerá grandes alterações até o fim do ano, deixando assim para seu sucessor a decisão sobre a retirada das tropas desse país.

EFE |

Em discurso na Universidade Nacional de Defesa, nos arredores de Washington, Bush traçou um quadro otimista da situação no Iraque, ao afirmar que, ao longo deste ano, houve uma significativa redução da violência no país.

Por isso, ele anunciou que nos próximos meses retornarão aos EUA cerca de 3.400 homens que participam de missões de apoio, dos 146 mil soldados americanos que estão atualmente no Iraque.

As primeiras tropas de combate retornarão em novembro, quando voltará aos EUA um batalhão de infantes da Marinha que está servindo na província de Anbar, que, na semana passada, passou ao controle das forças iraquianas, explicou Bush.

Em fevereiro de 2009, além disso, "outra brigada de combate da Marinha" retornará, acrescentou o presidente americano, o que elevará para cerca de oito mil o número de soldados que voltarão aos EUA sem serem substituídos.

O anúncio de Bush significa que caberá a seu sucessor, o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain, tomar uma decisão sobre a eventual saída das tropas americanas do Iraque.

Obama é partidário de retirar os militares americanos em um prazo de 16 meses, enquanto McCain afirma que é preciso escutar a opinião dos comandantes militares, e está disposto a permitir que os soldados permaneçam no Iraque por tempo indeterminado.

A decisão de Bush também significa que o próximo presidente terá que começar a se ocupar da Guerra do Iraque assim que tomar posse, em 20 de janeiro de 2009.

Segundo explicou o presidente, os comandantes militares americanos liderados pelo general David Petraeus, comandante das forças no Iraque, acham que será possível reduzir ainda mais o número de soldados, atualmente em torno de 140 mil, já no primeiro semestre de 2009.

"Embora o progresso no Iraque ainda seja frágil e reversível, o general Petraeus e o embaixador (dos EUA em Bagdá, Ryan) Crocker informam que parece haver um certo grau de estabilidade nas conquistas que obtivemos", disse Bush.

"Agimos com ofensiva e as forças iraquianas estão cada vez mais capazes de liderar e de ganhar o combate", acrescentou o presidente, que também reconheceu que a situação se complicou no Afeganistão, onde o movimento talibã recupera força, em particular no sul do país.

"Os terroristas estão aumentando seus esforços na frente onde esta luta começou, a nação do Afeganistão", declarou Bush, que acrescentou que "o êxito" nesse país "é básico para a segurança dos EUA" e de seus aliados.

Bush anunciou também que uma brigada prevista para ocupar o Iraque em novembro mudará seu destino e se deslocará para o Afeganistão.

A isso se somará o envio, em janeiro, de uma brigada de combate adicional do Exército.

O número de soldados americanos no Afeganistão se elevou de menos de 21 mil há dois anos para os 31 mil atuais, lembrou o presidente.

A oposição democrata afirmou que a Casa Branca não faz o suficiente e disse que é necessário tirar mais soldados do Iraque para levá-los ao Afeganistão.

Segundo o presidente do Comitê das Forças Armadas da Câmara de Representantes, Ike Skelton, "os planos do presidente para reduzir as tropas no Iraque podem parecer um movimento na direção certa, mas na realidade retarda a redução de forças até a chegada da próxima Administração".

São necessárias maiores reduções, "para que possamos começar a recuperar a disponibilidade das tropas americanas e fornecer as forças adicionais necessárias para concluir a luta no Afeganistão", disse Skelton.

Por sua vez, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, se declarou "atônito" com a decisão de Bush de "repatriar tão poucos soldados do Iraque e enviar tão poucos reforços ao Afeganistão".EFE mv/ab/db

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