Bush deixa cúpula da Otan satisfeito após se reunir com Putin

Macarena Vidal Bucareste, 4 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, teve hoje uma antecipação do que será sua reunião do fim de semana com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, no ato final de sua participação na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Bush, que chegou hoje à Croácia após falar com o primeiro-ministro romeno, Calin Popescu-Tariceanu, deixa a cúpula satisfeito e afirmando ter cumprido todos os seus objetivos.

Ele obteve o apoio dos aliados ao sistema de Defesa Nacional contra Mísseis dos EUA no Leste Europeu, ao aumento das tropas no Afeganistão e à promessa inequívoca da futura entrada de Ucrânia e Geórgia na Aliança.

O que Bush não conseguiu foi fazer com que os 26 países-membros da Otan oferecessem às duas ex-repúblicas soviéticas o chamado Plano de Ação para o acesso pleno à organização atlântica.

Mas isso não evitou que a Rússia se sentisse incomodada. O país já tinha advertido contra qualquer aproximação da Aliança em relação a Tbilisi e Kiev.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou que não tinha obtido "avanços drásticos" na reunião "franca e aberta" do Conselho Otan-Rússia. Ali, os russos deram o sinal verde para permitir que passassem por seu território comboios de provisão da organização a caminho do Afeganistão.

Bush e Putin devem se reunir de novo neste fim de semana em Sochi, balneário russo às margens do Mar Negro.

Nessa reunião, a última entre ambos como presidentes de seus países, os dois governantes buscarão estabelecer um "marco estratégico" que estabeleça as bases para a relação bilateral a ser mantida por seus sucessores.

Em maio, Putin passará a Chefia de Estado a seu sucessor e herdeiro político, Dmitri Medvedev, embora já tenha deixado claro que não desaparecerá da cena política e dê como certo que ocupará o posto de primeiro-ministro russo.

Já Bush deixará a Casa Branca em janeiro, após as eleições presidenciais americanas de novembro.

A Casa Branca expressou seu desejo de integrar a defesa antimísseis dentro do "marco estratégico".

O sistema antimísseis que Bush quer instalar na República Tcheca e na Polônia é considerado pela Rússia uma ameaça contra seu território, enquanto Washington insiste em que seu objetivo é impedir um hipotético ataque de países inimigos no Oriente Médio.

Os Estados Unidos ofereceram garantias à Rússia para acalmar seus temores, como a possibilidade de inspecionar as instalações ou atrasar a ativação do dispositivo até que o Irã, ou outro país hostil da região, realize um teste de mísseis balísticos contra a Europa.

"Esperamos poder deixar para trás (as divergências sobre o escudo) para chegar a um entendimento de que todos compartilhamos um interesse em cooperar na defesa antimísseis", disse a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Sochi.

O sistema inclui um radar na República Tcheca e dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia.

A reunião de Sochi, organizada de última hora antes da viagem de Bush pelo Leste Europeu, acontece depois que Rice e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, obtiveram avanços na polêmica em relação ao escudo em sua viagem a Moscou, há duas semanas.

Essa viagem foi complementada com a visita de uma delegação russa a Washington na semana passada.

Antes de viajar para Sochi, e após deixar Bucareste, Bush faz uma breve parada, de menos de 24 horas, na Croácia, para parabenizar esse país e a Albânia, que na quarta-feira receberam da Otan o convite de entrada plena na Aliança. EFE mv/ev/db

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