Bush deixa a Presidência e volta a ser um cidadão comum no Texas

Base Aérea Andrews (EUA), 20 jan (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos George W.

EFE |

Bush e sua esposa, Laura, abandonaram hoje Washington para deixar para trás os oito últimos anos de sua vida e começar uma nova etapa, desta vez como cidadãos comuns no Texas.

Bush partiu por volta das 17h (de Brasília) da base da Força Aérea Andrews, nos arredores da capital, a bordo do avião presidencial, cujo nome mudou para a ocasião de "Air Force One" para "Special Air Mission 28000".

A decolagem do avião quase não recebeu atenção dos americanos nem da imprensa, centrados no histórico momento vivido pelo país quando Barack Obama se transformou no primeiro presidente negro e no 44º líder dos Estados Unidos.

O fim do mandato de Bush foi marcado pelo juramento do novo presidente, mas o momento mais simbólico da transferência de poder talvez tenha sido quando Obama e a primeira-dama, Michelle, se despediram do ex-líder nas escadarias do Capitólio.

No local, ele era aguardado pelo "Marine One", transformado temporariamente em "Executive One", para ser levado à base de Andrews.

Os dois homens, acompanhados pelo vice-presidente, Joe Biden, e por sua esposa, Jill, se uniram em um caloroso abraço. Bush subiu as escadas do helicóptero e se despediu de Washington com uma saudação e um sorriso.

O momento que melhor descreve o sentimento dos americanos com a mudança de poder ocorreu quando Bush apareceu nas escadarias do Capitólio para assistir à posse de Obama.

A presença do ex-líder foi recebida com um grande silêncio nas arquibancadas e com fortes vaias entre o público presente no Mall.

A reação dos cidadãos antecipou o que aconteceria em seguida, no momento de sua saída, quando sobrevoou a cidade, na qual quase dois milhões de pessoas presenciaram a posse do novo presidente.

O mais provável é que o ex-presidente não tenha ouvido devido ao barulho das hélices, mas, abaixo, no Mall, os cidadãos o cumprimentaram. Alguns, talvez, com certa nostalgia diante de uma era que terminava. A maioria achava o contrário, a julgar pelo que dizem as últimas pesquisas. Só 22% apoiavam sua gestão.

Houve mais de um que gritou "até nunca" ou cantou, ao lado de americanos ou estrangeiros, um sonoro e alegre "goodbye" ("adeus").

Foi uma despedida carregada de simbolismo, mas Bush, aparentemente pouco afetado pelo péssimo nível de popularidade, suportou todas as atividades do dia com um sorriso.

O dia começou cedo. Às 7h, estava no Salão Oval. Falou com a ainda secretária de Estado, Condoleezza Rice, o conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, e com Andy Card, ex-chefe de Gabinete, e passeou pela última vez pelos jardins da Casa Branca.

A ex-porta-voz Dana Perino afirmou que estava "otimista" e que tudo era como sempre. "Nada mudou", disse. Bush se despediu dela com um beijo na testa.

No meio da manhã, Bush recebeu Obama e Michelle na Casa Branca, assim como os Biden para depois partir todos juntos para a cerimônia de posse. No caminho, Bush cumprimentou os cidadãos que o viram passar.

No caminho para Crawford, Texas, Bush e Laura farão uma parada em Midland, onde o ex-presidente passou a infância.

Quando Obama entrar nesta tarde na Casa Branca e se sentar pela primeira vez no Salão Oval, terá uma surpresa em uma das gavetas da escrivaninha: uma carta deixada pelo antecessor, como manda a tradição desde Ronald Reagan (1981-1989).

O conteúdo, no entanto, permanecerá segredo, dado que Perino revelou apenas que Bush a escreveu na segunda-feira.

"O conteúdo tem a ver com o que ele (Bush) disse desde a noite eleitoral sobre o fabuloso novo capítulo que Obama começará e que lhe deseja o melhor", indicou a porta-voz.

Enquanto se abre uma nova página para Obama e os EUA, Bush terá pela primeira vez em oito anos tempo para descansar, desfrutar da liberdade que recuperou e fazer o que gosta.

Na nova vida, como cidadão comum, ele não se enfadará. Terá tempo para ficar na biblioteca e no museu presidencial que a Universidade Metodista do Sul (SMU) em Dallas, Texas, acolherá. EFE cae/db

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