Bush defende intervencionismo do Governo e alto custo do plano de resgate

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 20 set (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, justificou hoje o intervencionismo de seu Governo, um firme defensor do livre mercado, para aliviar a crise e o alto custo do plano de resgate preparado pelo Tesouro, que é de US$ 700 bilhões.

"É um preço alto para um problema grande", disse Bush, em um comparecimento na Casa Branca junto ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, enquanto seu Governo conclui este fim de semana a negociação com o Congresso para que o autorize a lançar o plano de resgate.

O Congresso poderia submeter as medidas à votação na próxima semana.

O presidente americano reconheceu, tanto em seu comparecimento quanto no discurso de rádio dos sábados, que vai receber críticas por esta medida intervencionista, que foi qualificada como a mais importante desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Os defensores do livre mercado argumentam que estes mesmos devem corrigir seus desajustes.

No entanto, segundo Bush, ele mudou de parecer quando os analistas o informaram da significativa gravidade deste problema.

Atuamos "para evitar o caos total".

"Tomei a decisão com os analistas e a longo prazo estaremos bem", argumentou.

Para justificar sua decisão, Bush disse em seu discurso radiofônico: "Nosso sistema de livre empresa se baseia na convicção de que o Governo federal deve intervir no mercado só quando for necessário".

"Dada a situação precária de nosso mercado financeiro - e sua vital importância na vida cotidiana do povo americano -, a intervenção do Governo não é justificável, mas essencial", explicou.

Horas antes, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse a um grupo de congressistas, com o qual se reuniu a portas fechadas na sexta-feira, que a economia americana poderia chegar a um "cataclisma", se o Governo não agisse em breve, informa hoje o jornal "The New York Times".

Apesar das explicações de Bush, o intervencionismo do Governo dos EUA gerou muitas críticas, algumas delas procedentes inclusive das fileiras do Partido Republicano.

"O livre mercado morreu nos EUA", declarou em um duro comunicado o senador republicano Jim Bunning, que afirmou que as medidas de intervenção que o Tesouro esboçou supõem "eliminar o livre mercado e instituir o socialismo nos EUA".

Além disso, Bush teve que sair em defesa do alto custo do pacote que seu Governo negocia com o Congresso, ao que pediu autorização para que o Tesouro compre os ativos "tóxicos" relacionados com a crise hipotecária americana.

Aos US$ 700 bilhões, que representam a maior intervenção pública desde a Grande Depressão dos anos 30, se somam os US$ 200 bilhões que o Governo comprometeu no resgate das gigantescas companhias hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, e os US$ 85 bilhões na intervenção da maior seguradora do país, a American International Group (AIG).

O Governo Bush não saiu em socorro de outras entidades, como do banco de investimento Merrill Lynch, que foi comprado pelo Bank of America, e do Lehman Brothers, que se declarou em falência na segunda-feira passada e que hoje recebeu a autorização do juiz para ser comprado pelo britânico Barclays.

Hoje, Bush não quis dar um número, mas reconheceu que o valor do pacote econômico que o Governo seria monumental, porque lhe preocupa o impacto que a crise financeira possa ter no resto da economia.

"O risco de não fazer nada supera o risco do (montante) do pacote. Com o tempo, recuperaremos parte deste dinheiro", afirmou.

A crise financeira marcou também o debate dos últimos dias na campanha eleitoral.

O candidato democrata, Barack Obama, apoiou hoje os esforços do Fed e do Tesouro para conter a crise em Wall Street, mas pediu um esforço para que o resgate chegue também ao cidadão americano.

Já o candidato republicano, John McCain, denunciou a "corrupção e manipulação" no funcionamento do mercado hipotecário nos EUA, e a incapacidade dos "políticos, dos burocratas e dos lobbys" para resolver os problemas da Fannie Mae e Freddie Mac. EFE pgp/ab/db

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