Bush defende interrogatórios e asfixia simulada contra detidos por terrorismo

Washington, 11 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu hoje os métodos de interrogatórios autorizados por seu Governo contra os detidos na luta antiterrorista e afirmou que a asfixia simulada ajudou a salvar vidas.

EFE |

Em entrevista divulgada pela rede "Fox", Bush lembrou que seu Governo foi marcado pelos atentados terroristas de 2001 e, portanto, "utilizou os poderes (presidenciais) consagrados na Constituição para defender" o país.

Acompanhado de Bush pai, o presidente americano disse que as controvertidas técnicas de interrogatórios "eram e são necessárias em ocasiões inusitadas para obter informação para proteger o povo americano".

Citou como exemplo o caso do estrategista da Al Qaeda, Khalid Sheikh Mohammed, que supostamente foi submetido à asfixia simulada, um método condenado por grupos humanitários e pela comunidade internacional como método de tortura.

Mohammed, detido no Paquistão e levado para uma prisão clandestina na Polônia, "foi o cérebro dos atentados do dia 11 de setembro de 2001 que mataram quase 3.000 pessoas em nosso solo", destacou Bush.

"Acho que quando o povo estudar a história deste episódio em particular, verão que obtivemos boa informação de Khalid Sheikh Mohammed para proteger nosso país", argumentou Bush.

"Achamos que a informação que obtivemos ajudou a salvar vidas em solo americano", insistiu Bush, ao fazer um repasse das conquistas de seu Governo durante os últimos oito anos.

Nesse sentido, acrescentou: "rejeito firmemente a palavra tortura (...) Tudo o que esta Administração fez teve uma base legal para fazê-lo, caso contrário não o teríamos feito".

"Em segundo lugar, tudo o que fizemos foi feito após realizar consultas com os profissionais em nosso Governo que entendem como usar estas técnicas de modo que se consiga informação com respeito à lei", matizou.

Por outra parte, Bush considerou que eliminar esses métodos de interrogatórios - como muitos pediram ao futuro Governo de Obama - representaria um "problema".

"Não posso nem imaginar o que aconteceria se o presidente não tivesse estas ferramentas a sua disposição e capturamos um conhecido assassino que poderia ter informação sobre o seguinte ataque nos EUA", alegou o presidente.

A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que ativistas de diversas organizações humanitárias organizaram vigílias e outros atos de protesto dentro e fora do país contra o centro de detenções dos EUA em Guantánamo, no sétimo aniversário de sua criação.

Em Washington, ativistas da Anistia Internacional e outros grupos, vestidos com o uniforme laranja dos detidos, exigiram o fechamento de Guantánamo e o respeito aos direitos humanos.

O presidente eleito de EUA, Barack Obama, disse à rede "ABC" que de seu ponto de vista, a asfixia simulada é tortura e reiterou sua promessa de fechar Guantánamo, apesar de possivelmente não poder cumpri-la durante os primeiros cem dias de seu Governo.

Durante a entrevista à "Fox", Bush disse que sua saída de Washington será um momento agridoce e de emoções porque, por um lado, sentirá saudades de ser o comandante-em-Chefe do Exército mas, por outro, está ansioso para retornar ao Texas, onde comprou uma residência em Dallas.

"Amo o Texas. Amo a minha esposa. E estou muito entusiasmado com o próximo capítulo em minha vida", afirmou Bush.

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