Bush defende coordenação global contra crise após reunião com ministros do G7

Macarena Vidal. Washington, 11 out (EFE).- A resposta mundial para a crise econômica que se estende pelo mundo deve ser coordenada, afirmou hoje o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, que acrescentou que todos estão "nisso juntos" e sairão "juntos".

Bush se reuniu hoje, em Washington, com os ministros de Finanças do Grupo dos Sete (G7, os países mais desenvolvidos) para coordenar pontos de vista e medidas para enfrentar a crise.

Em declaração nos jardins da Casa Branca, após a reunião, na qual esteve acompanhado pelos ministros do G7 - formado por EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França -, Bush insistiu na necessidade de adotar medidas unificadas para superar a situação.

"Todos nós reconhecemos que esta é uma crise global grave e, portanto, requer uma resposta global séria", afirmou Bush, que reiterou a necessidade de que as medidas adotadas por um país não tenham contradição com as tomadas por outra nação.

"Enquanto nossos países enfrentam desafios particulares a nossos sistemas financeiros individuais, devemos continuar colaborando e garantir que nossas ações estão coordenadas", disse Bush, antes de acrescentar que é preciso "garantir que os atos de um país não contradizem ou prejudicam as medidas de outro".

A reunião de Bush e dos ministros do G7 ocorre ao final de uma das piores semanas da história para os mercados mundiais, na qual a Bolsa de Nova York perdeu 21% de seu valor e a Bolsa de Tóquio, 24%.

O índice Dow Jones caiu durante oito pregões consecutivos diante da incerteza sobre a situação mundial.

Em uma tentativa de acalmar os cidadãos e de mostrar um tom positivo, Bush afirmou: "faremos tudo o que for necessário e sairemos desta, e a economia mundial se tornará mais forte como resultado".

Com a de hoje, Bush já fez 21 declarações sobre a crise desde que, em 15 de setembro, o anúncio da quebra do banco de investimento Lehman Brothers abriu o caos nos mercados.

Até o momento, as declarações do presidente dos EUA tiveram pouco sucesso em tranqüilizar o público.

Na sexta-feira, durante um discurso semelhante ao de hoje, o índice Dow Jones intensificou sua queda, enquanto o presidente americano falava.

Em sua declaração de hoje, Bush afirmou que foram dados "passos valentes" para combater a situação "tão rápido quanto possível", mas ressaltou, como fez em outras ocasiões, que "os resultados não serão alcançados da noite para o dia".

Entre as medidas adotadas, está o plano de resgate para o sistema financeiro aprovado há oito dias no Congresso dos EUA e avaliado em US$ 700 bilhões.

Além disso, Bush também lembrou que a Securities and Exchange Commission (SEC, comissão de valores mobiliários americana) averiguará qualquer suspeita de fraude ou práticas abusivas na bolsa, e as agências correspondentes aumentaram até US$ 250.000 o montante garantido nos depósitos bancários.

Vários dos principais bancos centrais, entre eles o Federal Reserve (Fed, banco central americano), anunciaram na quarta-feira um corte coordenado da taxa básica de juros, em uma tentativa de contribuir para controlar a crise creditícia.

O Departamento do Tesouro dos EUA planeja comprar ações das instituições financeiras para que estas tenham mais liquidez e melhorem seus balanços, permitindo, portanto, que o crédito volte a fluir.

O colapso do sistema creditício, motivado por uma crise de falta de confiança, é a chave do problema atual, e os ministros do G7 - que se reuniram também na noite passada, em Washington, em paralelo ao encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial - tentaram apresentar soluções.

Em um plano de cinco pontos apresentado na noite passada, o G7 se comprometeu a tomar medidas para que os bancos se recapitalizem com recursos públicos e privados.

Esse plano não menciona, no entanto, uma das opções sobre a mesa, que conta com o apoio do Governo britânico: a de garantir toda a dívida interbancária em nível mundial. EFE mv/an

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