Bush defende ajuda às montadoras, mas Obama pode mudar termos de empréstimos

Macarena Vidal. Washington, 20 dez (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu hoje sua decisão de conceder ajudas às montadoras americanas, uma iniciativa que deixa nas mãos do líder eleito, Barack Obama, o destino definitivo do setor.

EFE |

Em discurso de rádio transmitido aos sábados, Bush, que na sexta-feira anunciou ajudas de US$ 17,4 bilhões ao setor automotivo, assegurou que "se deixássemos que o livre mercado seguisse seu curso, com quase toda certeza isso levaria à quebra caótica e à liquidação das montadoras".

"Em meio a uma crise financeira e a uma recessão, permitir que a indústria automobilística dos Estados Unidos afundasse não teria sido uma atitude responsável", afirmou o governante.

A medida apresentada pelo presidente, que deixará o cargo no dia 20 de janeiro, fará com que a General Motors (GM) e a Chrysler, as empresas em pior situação, recebam imediatamente US$ 13,4 bilhões em empréstimos, e outros US$ 4 bilhões estarão disponíveis em fevereiro.

A Ford, a segunda maior fabricante de automóveis americana, disse que, atualmente, não precisa de ajuda financeira.

O dinheiro destinado às montadoras virá do plano de resgate da indústria financeira que o Congresso aprovou há alguns meses, no valor de US$ 700 bilhões.

Em troca destes fundos, as automobilísticas terão que apresentar um plano de viabilidade até 31 de março, sob pena de ter de devolver os empréstimos imediatamente.

A reestruturação, segundo afirmou hoje Bush, "requereria concessões significativas de todos os implicados no setor: diretores, sindicalistas, credores, acionistas, concessionários e provedores".

As automobilísticas receberam o plano como um colete salva-vidas jogado no último instante e os diretores prometeram que apresentarão o projeto de viabilidade. No entanto, os trabalhadores das firmas advertiram de que a medida aumenta a pressão sobre o coletivo.

Na sexta-feira, Bush tinha afirmado que os trabalhadores deveriam aceitar medidas salariais e condições de trabalho que os tornem mais competitivos em relação às montadoras estrangeiras.

Porém, além dos sindicatos, os empréstimos foram criticados por parte dos legisladores republicanos, os correligionários do próprio Bush.

O senador Judd Gregg declarou que o empréstimo é "inconsistente" com o objetivo do auxílio ao setor financeiro no valor de US$ 700 bilhões, e pode estimular outros setores com problemas econômicos a pedirem uma parte dos recursos.

O legislador disse que o programa "abre um precedente preocupante que o próximo Governo poderia usar para expandir o controle sobre várias indústrias específicas que possuem problemas nestes momentos de dificuldade" econômica.

Ao anunciar a medida, na sexta-feira, Bush assegurou que uma das coisas que pretendia evitar era que, nos primeiros dias de mandato de Obama, ele precisasse enfrentar o colapso do setor automotivo americano.

Quando chegar à Casa Branca, o futuro líder poderá mudar as condições dos empréstimos se quiser.

No entanto, com esta medida, o presidente eleito terá que decidir sobre o futuro do setor apenas 70 dias após sua chegada ao poder.

Ron Gettelfinger, o presidente do principal sindicato do automóvel, o United Auto Workers, afirmou que apelará a Obama e ao Congresso, de maioria democrata, para que suavize as condições aos trabalhadores.

Por enquanto, o presidente eleito expressou apoio à iniciativa de Bush e pediu às montadoras para aproveitarem a oportunidade para "reformar sua má gestão e iniciar uma reestruturação a longo prazo imprescindível".

No entanto, Obama, que assegura que sua intenção é criar ou manter postos de trabalho "durante anos", insistiu em que essa reestruturação não deve se desenvolver exclusivamente "a custo dos trabalhadores". EFE mv/db

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