Bush consegue grande parte dos objetivos em sua última cúpula do G8

Macarena Vidal Toyako (Japão), 8 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, voltou hoje a Washington após o encerramento da cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), a última da qual participa e na qual alcançou seus principais objetivos, tanto na mudança climática quanto na ajuda à África.

"Gostaria de informar que alcançamos sucessos significativos em cada uma" das metas, disse Bush hoje, antes de partir de Hokkaido (Japão).

O G8 decidiu em suas sessões da terça-feira aceitar a meta de um corte das emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2050, mas de modo não vinculativo e sem estabelecer objetivos a médio prazo.

Além disso, fez uma chamada aos países emergentes para que incluam esses objetivos, ao afirmar que o sucesso "só será possível mediante a determinação de todas as grandes economias" do mundo.

Com estas palavras, o G8 adotava a posição de Bush, que considera que, para assinar qualquer acordo vinculativo, seria necessário incluir as principais economias emergentes, como Índia e China, países que também são grandes emissores de gases poluentes.

Em sua reunião hoje com o G8, as economias emergentes não aceitaram a meta de 50% até 2050, mas se comprometeram a realizar "cortes profundos" a médio e longo prazo.

Segundo James Connaughton, responsável de política ambiental da Casa Branca, "conseguimos, no que diz respeito a metas a médio prazo, mais do que tínhamos imaginado a princípio".

Antes, a Casa Branca tinha expressado sua satisfação pela declaração do grupo, que "reconhece que o G8 não pode alcançar por si só as metas (de redução de gases poluentes) e é necessária a cooperação das economias emergentes".

Apesar dos elogios da Casa Branca, os críticos consideram que essa declaração trouxe poucas medidas. Os analistas estimam que se trata de uma solução de compromisso, à espera de medidas mais substanciais no próximo ano, quando o sucessor de Bush chegar à Casa Branca.

Tanto o democrata Barack Obama quanto o republicano John McCain são considerados mais flexíveis em assuntos ambientais.

O presidente americano alcançou suas aspirações no que diz respeito à ajuda à África, um de seus objetivos declarados para a cúpula.

Bush tinha afirmado que buscaria que os países reafirmassem seu compromisso com a África e cumprissem as promessas feitas em cúpulas anteriores em relação a esse continente.

Efetivamente, o G8 emitiu uma declaração reiterando sua promessa de duplicar para US$ 50 bilhões a ajuda ao continente africano até 2010. Também expressou a possibilidade de ampliá-la além dessa data.

Segundo a Casa Branca, o G8 aceitou divulgar, pela primeira vez, relatórios detalhados sobre o cumprimento dos compromissos na ajuda à saúde e ao combate à corrupção na África.

O presidente americano indicou também pequenas vitórias ao conseguir que o Grupo dos Oito expressasse sua "grave preocupação" com o programa nuclear iraniano e as conseqüências que pode ter para a proliferação atômica.

O G8 pediu que o Irã aceite os incentivos oferecidos pela comunidade internacional e renuncie a suas atividades nucleares, especialmente o enriquecimento de urânio.

No entanto, Bush não foi bem-sucedido em alguns assuntos. O presidente americano queria conseguir o consenso dos oito países sobre sanções ao regime de Robert Mugabe no Zimbábue, após as eleições nas quais o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, se retirou, devido à violência contra sua campanha.

O acordo dos países europeus e do Japão não conseguiu superar a oposição da Rússia no jantar de trabalho da noite passada. Por fim, e após um intenso debate, se optou por reduzir a ameaça de sanções a "novos passos", não definidos, contra o regime zimbabuano.

A Rússia também deu outro golpe nos objetivos de Bush. Ao final de uma reunião na segunda-feira entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e Bush, o primeiro disse que não teve progressos nas divergências sobre o sistema Nacional de Defesa contra Mísseis que os EUA querem posicionar no Leste Europeu. EFE mv/an

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