Macarena Vidal Paris, 13 jun (EFE).- O presidente americano, George W.

Bush, celebrou hoje a retomada das relações entre Estados Unidos e Europa, após os atritos originados pela Guerra do Iraque, e pediu ao continente mais ajuda para o Afeganistão.

Em discurso diante da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, Bush afirmou que os laços de seu país com a Europa estão "mais fortes do que nunca".

Em alusão às discordâncias sobre o Iraque em seu primeiro mandato, Bush afirmou que "a história recente deixou claro que nenhum tipo de desacordo pode diminuir os profundos laços entre" o país e o continente.

"Em lugar de nos fixarmos em assuntos dentro da Europa, cada vez mais examinamos questões de alcance global. Ao invés de nos separarmos, estamos cada vez mais unidos em nossos interesses e ideais", sustentou o chefe de Governo americano.

Depois de dizer que esta situação seria impensável há apenas três anos, quando as relações com esses países eram muito distantes, Bush elogiou em particular os líderes de Reino Unido, França, Alemanha e Itália, quatro dos países que visitou em sua viagem atual.

"Em líderes como (o italiano Silvio) Berlusconi e (o britânico Gordon) Brown, (a alemã Angela) Merkel e (o francês Nicolas) Sarkozy, vejo um compromisso com uma Europa poderosa e decidida que faz avançar os valores da liberdade dentro de suas fronteiras e além", destacou Bush.

O discurso tinha como objetivo oficial comemorar o 60º aniversário do plano Marshall, o programa dos EUA que contribuiu para a reconstrução européia após a Segunda Guerra Mundial, o que foi utilizado por Bush para pedir mais colaboração do continente no Oriente Médio.

"Há momentos nos quais a situação em lugares como o Oriente Médio podem parecer tão arrasadoras como na Europa há 60 anos, mas podemos confiar que a liberdade voltará a prevalecer", declarou o presidente americano.

Em particular, pediu que as nações européias aumentem sua ajuda no Afeganistão para garantir que esse país "nunca mais seja refúgio de terroristas".

Bush voltará a abordar a questão do Afeganistão quando se reunir amanhã com Sarkozy. Os líderes se encontrarão já esta noite durante um jantar "social" ao lado de suas esposas no Palácio do Eliseu.

A França, que já desdobra 1.400 soldados dentro da força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, prometeu mais algumas centenas.

Além disso, Paris recebeu nos últimos dois dias uma conferência de países doadores na qual os Governos se comprometeram a destinar mais US$ 20 bilhões ao país centro-asiático e em uma ocasião em que os EUA foram representados por sua primeira-dama, Laura Bush.

Em sua reunião, Bush e Sarkozy falarão ainda sobre as possibilidades de aumentar a pressão para que o Irã aceite suspender suas atividades nucleares, em particular o enriquecimento de urânio.

Um dos principais objetivos da viagem de Bush à Europa foi convencer os aliados europeus a aprovarem o aumento de sanções ao programa nuclear iraniano.

Sobre a rodada de Doha, segundo informou Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, Bush explicará a seu colega francês que precisa da ajuda da França "para dar um impulso a estas negociações e conseguir sua conclusão com sucesso este ano".

"As políticas agrícolas protecionistas não deveriam ser um obstáculo a estas" conversas, acrescentou Perino.

Os dois líderes repassarão também os preparativos para a cúpula do G8, que reúne os países mais ricos, prevista para julho no Japão, assim como a mudança climática, concluiu.

Paris é a penúltima etapa na viagem européia de Bush, que levou o presidente americano a Brdo (Eslovênia), Berlim, Roma e ao Vaticano e que terminará em Londres e Belfast. EFE mv/rb/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.