Bush aposta em acordo de paz para o Oriente Médio antes do fim do mandato

Macarena Vidal. Washington, 25 set (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, insistiu hoje em que mantém suas esperanças de obter um acordo de paz para o Oriente Médio antes do fim de seu mandato, em janeiro de 2009.

EFE |

Bush, que participou da 63ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, teve um intenso dia de contatos diplomáticos.

Primeiro, ele se encontrou com o chefe de Estado libanês, Michel Suleiman, e, depois, se reuniu com presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Em breves declarações à imprensa antes da reunião com Abbas, Bush agradeceu "a determinação e o desejo" do líder da ANP de ter um Estado palestino.

"Compartilho esse desejo com o senhor", disse Bush a Abbas.

"É um trabalho complicado conseguir um Estado após tantos anos.

No entanto, há uma determinação firme de minha parte e da sua em dar aos palestinos um lugar onde possa haver dignidade e esperança", explicou o presidente americano.

Bush, que em 2007 comprometeu-se a conseguir um acordo entre israelenses e palestinos antes de deixar a Presidência dos EUA, em 20 de janeiro do ano que vem, declarou que ainda restam quatro meses no cargo e que tem esperança que o pacto de paz aconteça.

Já Abbas afirmou que seu país não pode viver sem esperança e que ele "continuará trabalhando" para torná-la realidade.

No ano passado, os EUA sediaram a cúpula entre israelenses e palestinos, em Annapolis. Desde então, o processo de paz quase não avançou.

As conversas se estagnaram ainda mais por causa da renúncia do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, acusado de corrupção. Sua substituta, Tzipi Livni, confirmou sua intenção de continuar com o processo de negociação.

Bush, que hoje vai se reunir com os candidatos à Presidência do país - o democrata Barack Obama e o republicano John McCain - e uma delegação do Congresso para tratar do plano de resgate financeiro orçado em US$ 700 bilhões, deve terminar o dia com uma reunião com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Nesta conversa, os governantes devem falar sobre o acordo de cooperação nuclear assinado há dois anos entre os dois países e que ainda precisa de aprovação no Congresso americano.

Na primeira reunião desta quinta, com Suleiman, o presidente do Líbano destacou que os refugiados palestinos em seu país devem poder retornar à sua pátria.

Antes deste encontro, Bush expressou a Suleiman sua vontade de que o Líbano seja "livre, soberano e independente".

O presidente americano transmitiu ainda sua satisfação pelo diálogo nacional iniciado por Suleiman "em uma tentativa de buscar a reconciliação" em um país profundamente dividido entre as comunidades cristã, sunita e xiita.

Por sua vez, Suleiman afirmou que está em Washington para "sustentar o direito a um Líbano próspero e democrático, um país diverso em sua natureza e em sua gente".

Ele, acrescentou, procura ainda "reafirmar a necessidade de liberar todos os territórios libaneses", referindo-se às regiões de Chebaa e Kfar Chuba, no sul do país e ocupadas por Israel.

Suleiman deixou muito claro "que o futuro dos refugiados palestinos está no país deles, não no Líbano".

"Senhor presidente, achamos que isso interessa ao Líbano e ao próprio povo palestino", afirmou.

Milhões de palestinos vivem em campos de refugiados no Líbano em condições de extrema pobreza. Estes locais se transformaram algumas vezes em focos de instabilidade, como ocorreu em 2007, em Nahr el-Bared, onde os confrontos entre facções palestinas e o Exército libanês duraram semanas.

O destino dos refugiados palestinos no exterior é um dos pontos polêmicos das negociações de paz, pois estes reivindicam o direito de retorno, algo que Israel não está disposto a conceder. EFE mv/rb/db

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