Bush apoia Israel; mortos em Gaza passam de 900

Por Nidal Al Mughrabi GAZA (Reuters) - Israel recebeu na segunda-feira apoio renovado de seu principal aliado, os Estados Unidos, cujo presidente, George W. Bush, disse que um cessar-fogo na Faixa de Gaza depende do fim dos disparos de foguetes do Hamas contra as cidades israelenses.

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No dia em que o número de palestinos mortos passou de 900, entre eles muitos civis, os soldados reforçaram o cerco às cidades, e o primeiro-ministro Ehud Olmert disse que Israel manterá a ofensiva enquanto julgar necessário.

Tropas e tanques, com apoio de aviões e helicópteros responsáveis por mais de 25 bombardeios, avaliaram as defesas do Hamas ao redor da Cidade de Gaza, sob a ameaça de franco-atiradores e armadilhas explosivas. Mas os combatentes do Hamas praticamente não foram vistos, embora tenham lançado vários foguetes contra Israel.

Enquanto diplomatas do mundo todo trabalham com o Egito na preparação de uma trégua, um porta-voz militar israelense disse que o Exército ainda irá lançar a tão alardeada "fase 3" da guerra, depois da ofensiva inicial, por mar e ar, seguida pela incursão terrestre.

Unidades de reservistas entraram em Gaza para, segundo o porta-voz, ocupar posições e liberar as tropas regulares para invadir a cidade.

Numa rara mensagem por rádio e TV, um dirigente do Hamas em Gaza disse, falando de um local secreto, que "a vitória está à mão", e que muitas mortes vão assombrar Bush, que deixa o cargo na semana que vem.

Na segunda-feira, a Arábia Saudita, um dos vários governos da região que sofre de impopularidade devido a sua postura pró-americana, acusou Israel de promover um "extermínio racista", e manifestou a esperança de que o futuro presidente dos EUA, Barack Obama, se empenhe por "uma justa resolução da questão palestina".

"O extermínio que Israel está lançando contra o povo palestino em Gaza desnudou os líderes israelenses de sua humanidade, e coloca suas políticas nas fileiras do extermínio racista", disse nota do gabinete saudita.

ADEUS DE BUSH

Em sua última entrevista coletiva no cargo, Bush disse que o Hamas, vencedor da eleição parlamentar palestina de 2006, e que há 18 meses controla Gaza, precisa agir para melhorar a situação dos 1,5 milhão de habitantes do território.

"Sou por um cessar-fogo sustentado, e uma definição de cessar-fogo sustentado é que o Hamas pare de disparar foguetes contra Israel...Por acaso acredito que é a escolha que o Hamas tem a fazer", disse ele.

Embora tenha manifestado apoio à tese de que Israel age em autodefesa, contra os foguetes que fizeram 22 mortes desde 2001, Bush alertou que o Estado judeu precisa se preocupar com "o pessoal inocente".

Fontes médicas palestinas dizem que pelo menos 913 pessoas já morreram. O ministro da saúde do governo do Hamas disse que quase 400 delas eram mulheres e crianças.

Na segunda-feira, segundo tais fontes, Israel matou 13 palestinos, sendo ao menos cinco civis. Desde o início da ofensiva, Israel perdeu 10 soldados e três civis.

No Cairo, o enviado especial da comunidade internacional para o Oriente Médio, Tony Blair, se reuniu com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e disse em seguida que "os elementos para um acordo a respeito de um cessar-fogo imediato estão aí, e agora estão sendo discutidos de forma muito detalhada".

Um influente diplomata ocidental e uma fonte do Hamas consideraram positivas as discussões de segunda-feira em torno do cessar-fogo.

Líderes israelenses, envolvidos na campanha para a eleição de 10 de fevereiro, dão poucas pistas sobre até quando a ofensiva pode durar, mas algumas autoridades citam a posse de Obama, no dia 20, uma resolução já aprovada pela ONU e a eleição israelense como fatores que poderiam acelerar a retirada das tropas.

(Reportagem adicional de Adam Entous, Ori Lewis, Alastair Macdonald, Luke Baker, Alistair Lyon, Jeffrey Heller e Joseph Nasr em Jerusalem, Wafa Amr em Ramallah, Dan Williams em Gaza eAlaa Shahine no Cairo)

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