Bush anuncia redução de tropas no Iraque e reforço no Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou nesta terça-feira a retirada de 8 mil homens do Iraque em fevereiro do ano que vem e o envio de um reforço de cerca de 4,5 mil soldados para as forças americanas no Afeganistão.

BBC Brasil |

Em discurso realizado na Universidade de Defesa Nacional, em Washington, Bush argumentou que a redução dos níveis de violência no Iraque permite "um aumento modesto" no número de tropas americanas no Afeganistão nos próximos meses.

O plano anunciado pelo presidente americano compreende a retirada de uma brigada de cerca de 3,5 mil sodados do país, além de um contigente de forças de apoio de cerca de 3,4 mil militares.

Bush anunciou ainda que um batalhão de mil fuzileiros navais, que atuam na província iraquiana de Anbar, voltará para casa em novembro. Estas tropas não serão substituídas.

"Apesar do progresso frágil e reversível no Iraque, o general David Petraeus e o embaixador Ryan Crocker reportaram que, aparentemente, há um padrão de durabilidade em nossos avanços", afirmou o presidente americano.

Bush reiterou que, se a situação continuar a progredir, será possivel reduzir ainda mais o contigente americano no país ainda no primeiro semestre de 2009.

Atualmente, há 146 mil sodados americanos no Iraque, e 33 mil no Afeganistão.

Talebã
Bush detalhou também os planos de aumento das forças americanas para combater a crescente ameaça do Talebã no Afeganistão.

De acordo com o presidente americano, um batalhão de fuzileiros navais que deveria desembarcar no Iraque em novembro será enviado para o Afeganistão, seguido por uma brigada de combate do Exército, que deve chegar em janeiro.

Considerando o tamanho usual destas unidades militares, o reforço deve representar um aumento de cerca de 4,5 mil homens no contigente americano no país.

O Afeganistão vive um de seus momentos mais tensos desde 2001, quando as forças americanas invadiram o país.

Segundo agências humanitárias, o número de ataques de insurgentes aumentou em 50% e a cifra de civis mortos em julho chegou a 260.

Críticas
No mesmo dia em que Bush anunciou o reforço para o Afeganistão, o antigo enviado da União Européia para o país, Francesc Vendrell, acusou o governo americano de cometer erros em sua abordagem para a região.

Em entrevista à BBC, Vendrell afirmou que a estratégia da coalizão para o Afeganistão é "incoerente" e que precisa de uma grande revisão.

Segundo Vendrell, no entanto, esta mudança não deve acontecer no governo Bush.

A menos de dois meses da realização das eleições presidenciais nos Estados Unidos, líderes democratas também criticaram a demora de Bush em realocar as tropas americanas no Iraque.

Harry Reid, líder dos democratas no Senado, se disse "abalado" com a decisão de Bush de "trazer tão poucos homens de volta para casa e mandar poucos reforços para o Afeganistão".

Já o líder democrata da Comisão de Serviços Armados da Câmara, Ike Skelton, afirmou que Bush deixou a redução das tropas no país para a próxima gestão.

"Reduções significativas são necessárias para que possamos mandar as tropas adicionais necessárias para terminar a guerra no Afeganistão", disse Skelton.

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