Bush anuncia congelamento da retirada militar americana do Iraque

O presidente americano George W. Bush anunciou nesta quinta-feira o congelamento a partir de julho da retirada dos militares mobilizados no Iraque, e informou que cada soldado ficará no país árabe um ano, em vez dos 15 meses atuais.

AFP |

O general David Petraeus, comandante-chefe dos militares americanos no Iraque, "anunciou que as condições de segurança melhoraram o suficiente para que possamos retirar as cinco brigadas até o final de julho", declarou Bush, considerando que o envio de reforços (em 2007) permitiu "relançar a perspectiva de sucesso" no Iraque.

"No que se refere ao período posterior ao dia 31 de julho, o general Petraeus disse que precisa de tempo para consolidar suas forças e avaliar o impacto no terreno desta presença americana reduzida antes de emitir recomendações sobre novas retiradas. Disse-lhe que ele terá todo o tempo que precisar", acrescentou Bush, durante um discurso dedicado a uma guerra que continua muito impopular, cinco anos após a invasão de Bagdá pelas forças da coalizão.

O presidente americano também anunciou uma decisão voltada para agradar aos militares, esgotados por seis anos de guerra no Iraque e no Afeganistão.

"Durante um tempo, para amenizar o fardo dos militares e de suas famílias, pedi ao secretário da Defesa que reduzisse de 15 para 12 meses as missões de todos os soldados do Exército mobilizados na zona de operações do comando central", declarou.

"Estas mudanças serão efetivas para os soldados mobilizados depois do dia 1 de agosto", destacou, prometendo também que um ano de missão no terreno garantirá "pelo menos" um ano em uma base nos Estados Unidos.

Mais cedo, o general Petraeus considerou "ótima" a redução da duração das missões. "Uma rotação de 12 meses já é difícil para nossos soldados e suas famílias, e uma de 15 meses é obviamente bem mais difícil", afirmou. A duração das missões militares tinha passado de 12 para 15 meses no ano passado, no momento do envio de reforços.

Estes anúncios foram acompanhados por uma dura advertência feita a Teerã por suas ligações com as milícias xiitas no Iraque.

"O regime de Teerã precisa fazer uma escolha: viver em paz com seu vizinho e beneficiar-se de vínculos estreitos em matéria econômica, cultural e religiosa, ou continuar a armar, treinar e financiar milícias foras-da-lei que aterrorizam o povo iraquiano", afirmou Bush.

"Se o Irã fizer a escolha certa, a América promoverá uma relação pacífica entre Teerã e Bagdá, mas se o Irã fizer a escolha errada, a América atuará para proteger nossos interesses, nossas tropas e nossos parceiros iraquianos", avisou.

Os candidatos à Casa Branca e líderes democratas no Congresso imediatamente criticaram o presidente Bush por "não ter um plano para acabar com essa guerra". "O plano de Bush é fazer o que pode e transmitir o problema a seu sucessor", denunciou Joseph Biden, presidente da comissão das Relações Exteriores do Senado.

Hillary Clinton, uma das candidatas à sucessão de Bush, prometeu fazer o que o presidente americano "não conseguiu: reconhecer a realidade e acabar com a guerra de forma responsável".

"Esta guerra custa 5.000 dólares por segundo", lembrou, por sua vez, o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, qualificando o discurso presidencial desta quinta-feira de "um passo adiante, dois passos atrás".

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