Bush anuncia congelamento da retirada de tropas do Iraque

O presidente George W. Bush anunciou nesta quinta-feira o congelamento da retirada das tropas americanas do Iraque depois de julho, conforme recomendações feitas pelo comandante-em-chefe das tropas americanas nesse país, David Petraeus.

AFP |

Bush afirmou ter assegurado a Petraeus que "terá todo o tempo de que precisa para realizar essa avaliação". O comandante das forças norte-americanas apresentou um relatório ao congresso norte-americano na última terça-feira .

Bush também advertiu ao Irã que os Estados Unidos "atuarão para defender seus interesses no Iraque ante qualquer ameaça iraniana".

"O regime do Irã também tem uma decisão a tomar: podem viver me paz com seu vizinho, desfrutar de fortes elos religiosos, culturais e econômicos, ou podem continuar armando e treinando grupos militantes ilegais que estão realizando ações terroristas contra o povo iraquiano e os colocando conra o Irã", afirmou Bush.

"Se o Irã tomar a decisão correta, os Estados Unidos incentivarão uma relação pacífica entre o Irã e o Iraque. Mas se o Irã tomar a decisão errada, os Estados Unidos atuarão para proteger nossos interesses e nossas tropas e nossos aliados iraquianos", acrescentou.

O anúncio apareceu em meio a uma nova onda de violência no Iraque, verificada nas últimas semanas.

A polícia iraquiana disse na quinta-feira que bombardeios norte-americanos mataram 10 pessoas no bairro de Sadr City, um reduto de militantes em Bagdá onde os combates de rua diminuíram após quatro dias de confrontos nos quais morreram perto de 90 pessoas. Os norte-americanos continuariam com 140 mil soldados no território iraquiano.

A favela de Sadr City vem sendo, desde domingo, o centro de conflitos entre membros mascarados da milícia Exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, e forças de segurança.

Essa onda de violência, um prolongamento dos combates surgidos no final de março quando o primeiro-ministro do país, Nuri al-Maliki, lançou uma operação repressiva contra milicianos na cidade de Basra (sul), reflete na disputa presidencial travada nos EUA, provocando discussões sobre a retirada dos soldados e chamando atenção para a fragilidade dos avanços feitos recentemente.

A polícia iraquiana disse que dois ataques aéreos realizados na quinta-feira de manhã mataram seis pessoas e feriram dez em Sadr City.

O tenente-coronel Steven Stover, porta-voz das Forças Armadas dos EUA, confirmou a realização dos dois bombardeios contra um suposto local de lançamento de foguetes, mas disse desconhecer qualquer informação sobre mortos. A ação foi realizada por um avião-robô.

Na quarta-feira, um helicóptero disparou dois mísseis contra homens armados que atacaram naquele bairro um posto de segurança iraquiano-americano, matando quatro deles, disse Stover.

A polícia do Iraque e dirigentes de hospitais afirmaram que dois dos mortos eram meninos.

Uma bomba matou um soldado dos EUA na região central de Bagdá, durante a noite, elevando o número de baixas norte-americanas para 20 em abril, o que coloca esse mês no caminho de tornar-se o mais violento para as forças estrangeiras desde setembro.

Ainda assim, a polícia, os militares dos EUA e moradores do Iraque disseram que as ruas de Sadr City, onde a maior parte dos combates desta semana aconteceu, estavam mais calmas do que nos quatro dias anteriores, quando o Exército Mehdi enfrentou militares norte-americanos e iraquianos.

Apesar da proibição imposta em Bagdá na quarta-feira, aniversário de cinco anos da rendição da capital, a respeito da circulação de veículos, mais de 20 pessoas foram mortas em combates travados em Sadr City. E os militares dos EUA anunciaram a morte de mais cinco de seus soldados.

O número de baixas entre os norte-americanos somava uma média de cerca de uma por dia nos últimos seis meses, mas essa cifra dobrou em abril.




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