Bush alerta Obama sobre ameaça de ataques aos EUA

Em sua última entrevista coletiva antes de entregar o cargo para seu sucessor, Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que a ameaça mais urgente que Obama terá que enfrentar em seu mandato é um possível ataque contra os Estados Unidos.

BBC Brasil |


Bush concede entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira / AP


"A ameaça mais urgente que ele terá que enfrentar, assim como os presidentes depois dele, é um ataque contra a nossa pátria. Eu gostaria de afirmar que isso não acontecerá, mas há ainda um inimigo lá fora que quer causar danos aos americanos. Esta será a maior ameaça", disse Bush, que desejou boa sorte a Obama.

O presidente dos Estados Unidos ainda afirmou que o Irã e a Coréia do Norte, parte do que ele classifica como "eixo do mal", ainda são um perigo para o país.

Durante a entrevista, ele também falou sobre a ofensiva israelense em Gaza e sobre a crise no Oriente Médio. Bush afirmou que um cessar-fogo "sustentável" na região só será possível se o grupo militante palestino Hamas parar de lançar foguetes contra Israel.

"Eu acredito que é uma escolha que o Hamas terá que fazer. E nós acreditamos ainda que a melhor maneira de garantir um cessar-fogo sustentável é trabalhar com o Egito para interromper o contrabando de armas para dentro de Gaza. Os países que fornecem armas para o Hamas devem parar de fazê-lo, e a comunidade internacional deve pressioná-los para que eles parem de fornecer armamentos", disse.

Erros

O presidente afirmou que cometeu alguns erros em relação à invasão do Iraque, em 2003, mas que acredita ter feito a coisa certa. Ele se disse decepcionado com o engano sobre a existência de armas de destruição em massa no país.

"Quando a história do Iraque for escrita, os historiadores irão analisar, por exemplo, a decisão de mandar mais tropas para o país. Eu decidi fazer uma coisa sobre isso e mandei mais de 30 mil soldados para lá, o que fez com que a situação (de violência) mudasse", afirmou.

Quando perguntado sobre os erros que cometeu durante os oito anos de mandato, ele afirmou que ter feito um discurso sobre a Guerra do Iraque debaixo de uma faixa que tinha os dizeres "missão cumprida", em 2003, teria sido um engano.

Entre outros "desapontamentos" citados por Bush está o escândalo da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, onde oficiais americanos teriam torturado detentos.

Sobre o furacão Katrina, em 2005, quando o governo americano foi criticado por não ter auxiliado os residentes de Nova Orleans logo após o desastre, Bush afirmou que a resposta foi "rápida o suficiente", mas que "as coisas poderiam ter sido feitas de uma maneira melhor".

O presidente ainda afirmou que pedirá ao Congresso a liberação da segunda parte do pacote de US$ 700 bilhões de auxílio ao sistema financeiro caso Obama requisite.

"Eu disse a ele (Obama) que se ele sentir que os US$ 350 bilhões são necessários, então eu posso pedir (ao Congresso). Isto se ele achar que isto precisa ser feito ainda na minha gestão."

O mandato de George W. Bush termina em 20 de janeiro, quando Obama tomará posse como o novo presidente dos Estados Unidos.

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