Washington, 14 nov (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que é essencial reformar o sistema financeiro, mas advertiu de que o intervencionismo não curará tudo e que a crise não foi gerada pelo fracasso do livre mercado.

As declarações foram feitas no tradicional discurso de rádio de sábado, que foi antecipado hoje pela Casa Branca por ocasião da cúpula financeira que começa amanhã na capital americana.

Hoje à noite, o líder americano receberá os chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) para um jantar de trabalho antes das sessões de sábado.

Bush assegurou que trabalhará com outros presidentes para estabelecer os princípios para uma reforma que torne os mercados "mais transparentes" e que assegurem que estes, assim como as firmas e produtos financeiros, "sejam adequadamente regulados".

"Todos estes passos requerem ações decisivas por parte dos Governos no mundo todo. Ao mesmo tempo, temos que reconhecer que o intervencionismo governamental não cura tudo", ressaltou Bush.

Enquanto reformas no setor financeiro "são essenciais", disse, a solução a longo prazo dos atuais problemas "passa pelo crescimento econômico sustentado" e, para isso, são necessários "o livre mercado e povos livres".

Neste sentido, no discurso o líder americano deixa claro que "a crise não foi causada pelo fracasso do sistema de livre mercado" e que "a resposta não é tentar reinventar este sistema", como pedem alguns países, principalmente europeus.

Pelo contrário, argumentou Bush, a solução passa pelas reformas necessárias e "avançar sob os princípios do livre mercado que proporcionaram prosperidade e esperança às pessoas no mundo".

O presidente americano ressaltou que os benefícios do capitalismo de livre mercado "ficaram comprovados" através do "tempo, da cultura e da geografia".

Bush aproveitou a ocasião para pedir ao Congresso americano para que trabalhe para manter a livre movimentação de mercadorias e serviços entre países, pelo que deveria ratificar os tratados de livre-comércio com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul antes de dar por encerrado seu período de sessão deste ano.

Por outro lado, o presidente assegurou que os países de todo o mundo responderam à crise com medidas vigorosas que estão surtindo efeito nos mercados e nas economias internacionais.

No entanto, advertiu de que era necessário "mais tempo" para que estas melhoras possam se assentar completamente e que "haverá mais dias difíceis pela frente".

"A longo prazo, os americanos podem confiar no futuro de nossa economia. Trabalharemos com nossos parceiros ao redor do mundo para resolver os problemas no sistema financeiro global. Fortaleceremos nossa economia", concluiu. EFE cae/db

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