Macarena Vidal Washington, 2 mai (EFE) - A economia dos Estados Unidos atravessa um período de instabilidade, mas está a ponto de se recuperar, afirmou hoje o presidente americano, George W. Bush, em um ato na cidade de Saint Louis, em Missouri.

Bush se viu obrigado nos últimos dias a tranqüilizar a opinião pública sobre o desempenho da economia, perante a fragilidade dos indicadores.

Em seu discurso, o chefe da Casa Branca reconheceu que a economia atravessa um momento de crescimento lento e que "não é suficiente para o país", mas assegurou que as medidas tomadas por ele surtirão efeito em breve.

Entre as medidas tomadas está a distribuição de dinheiro - US$ 600 por adulto e US$ 300 por filho dependente - a cerca de 130 milhões de contribuintes, para estimular o consumo.

O Departamento do Tesouro americano começou esta semana a liberar o dinheiro -um montante superior a US$ 150 bilhões- e o Governo calcula que seu efeito começará a ser notado durante o terceiro trimestre do ano.

"Nossa economia vai se recuperar, tenho certeza disso", afirmou o presidente, que lembrou que durante seu mandato o país viveu uma recessão, os atentados de 11 de setembro de 2001 e desastres naturais como o furacão "Katrina" e "sempre conseguiu se recuperar".

"Nossa economia é resistente", insistiu em seu discurso em uma empresa tecnológica.

As declarações de Bush foram feitas poucas horas depois que o Departamento de Trabalho americano indicou que o índice de desemprego caiu um décimo em abril, para 5%, em um mês no qual a economia teve uma perda líquida de 20 mil empregos, menos que o esperado pelos analistas.

Na quarta-feira, o Departamento de Comércio americano indicou que o crescimento econômico do país no primeiro trimestre do ano tinha atingido apenas 0,6%.

A economia se transformou em uma das principais preocupações do americano médio, que viu uma drástica alta nos preços dos combustíveis e dos alimentos, combinada com a queda do valor dos imóveis, com a crise do setor imobiliário.

O presidente, que na quarta-feira passada participou de uma entrevista coletiva para tranqüilizar os cidadãos sobre a situação da economia, insistiu também em que o Congresso se empenhe mais para estimular a recuperação.

Entre outras medidas, pediu à Casa que aprove leis que permitam a exploração da Reserva Natural e da Vida Selvagem do Alasca (ANWR), que -segundo o Departamento de Energia- permitiria extrair um milhão de barris de petróleo diários.

Além disso, Bush pediu a construção de novas refinarias, e lembrou que nenhuma nova foi construída nos últimos 30 anos.

O chefe da Casa Branca, como vem fazendo nos últimos meses, se disse favorável ao comércio internacional como solução aos males da economia e lançou um apelo para que o Congresso aprove o Tratado de Livre-Comércio (TLC) pendente com a Colômbia.

Bush enviou no início de abril ao Congresso, de maioria democrata, o projeto de lei que contém o TLC, o que abriria um período de 90 dias para que os congressistas aprovassem o pacto.

No entanto, a Câmara de Representantes reformou as normas para ampliar indefinidamente esse prazo, o que deixou no limbo o futuro do acordo comercial.

As declarações de Bush foram recebidas com críticas por parte dos democratas no Congresso, que reivindicam medidas adicionais para estimular a economia.

Segundo o congressista Rahm Emanuel, líder dos democratas na Câmara Baixa, "o presidente Bush deve ser realista sobre a economia e deve começar a colaborar com o Congresso em um segundo conjunto de medidas que dêem um verdadeiro alívio econômico aos americanos". EFE mv/iw/db

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