Bush afirma que Coréia do Norte deve dar mais passos para a desnuclearização

Macarena Vidal Toyako (Japão), 6 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, afirmou hoje que a recente declaração nuclear da Coréia do Norte é "um passo positivo" para o fim do programa atômico desse país, mas são necessárias mais medidas.

Bush e o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, se reuniram hoje no luxuoso hotel Windsor, no Lago Toya, às vésperas da cúpula anual do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), que começa amanhã.

Durante sua conversa, analisaram detalhadamente os próximos passos nas negociações para convencer a Coréia do Norte a renunciara a seu programa nuclear em troca de incentivos econômicos e diplomáticos, após Pyongyang ter apresentado a esperada declaração.

Em entrevista coletiva, o presidente dos Estados Unidos lembrou que Pyongyang "entregou sua declaração e derrubou a torre de refrigeração de seu reator nuclear em Yongbyon".

"Tudo isso são passos positivos, mas são necessários ainda mais passos", disse Bush, garantindo que, neste processo, cada passo dado, em qualquer sentido, será correspondido.

Em resposta à declaração nuclear norte-coreana, os EUA anunciaram a suspensão de sanções comerciais e a retirada de Pyongyang da lista de países patrocinadores do terrorismo.

Isso gerou temores no Japão de que possa ser feitas concessões demais à Coréia do Norte em troca de muito pouco. Tóquio está preocupado também em não parar de pressionar Pyongyang sobre a questão dos japoneses seqüestrados nos anos 70 por esse regime e que estão em paradeiro desconhecido.

Bush tentou acalmar os temores do Japão e assegurou que, se a Coréia do Norte não continuar "movimentando fichas", esse país continuará como um dos mais sancionados do mundo.

Sobre os seqüestrados, disse que está "consciente que este é um tema delicado neste país", e que garantiu ao primeiro-ministro japonês que "o assunto não ficará de lado".

Fukuda ressaltou que o assunto dos seqüestrados deve ser resolvido "em paralelo à nova fase de negociações sobre o programa nuclear norte-coreano".

Os dois líderes abordaram também assuntos como a mudança climática, que o Japão quer que seja a grande protagonista da cúpula.

Tóquio quer conseguir um acordo para a redução de emissões de gases do efeito estufa a médio e longo prazo, mas os EUA exigem a inclusão das grandes economias emergentes, como Índia e China.

"Estamos trabalhando para ver se podemos conseguir uma declaração positiva" sobre a mudança climática na cúpula, disse o presidente americano.

A maioria dos analistas considera que a cúpula pode ser encerrada com um acordo em termos vagos sobre objetivos a longo prazo, mas descartam que seja alcançado um pacto a respeito de cortes a médio prazo.

Os dois líderes falaram também sobre outros assuntos que serão abordados pelos representantes do G8 - EUA, Japão, Canadá, Rússia, Itália, Reino Unido, França e Alemanha - como os altos preços dos alimentos e da energia, a ajuda à África e o programa nuclear iraniano.

O primeiro-ministro japonês aproveitou a entrevista coletiva para confirmar que irá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 8 de agosto.

Bush justificou sua decisão de estar presente também a essa cerimônia com o argumento de que, se não fizesse isso, "seria uma afronta ao povo chinês, e isso tornaria mais difícil poder falar com franqueza com seus líderes".

Outros líderes optaram por boicotar o evento em protesto contra a situação dos direitos humanos na China e o rigor de Pequim ao reprimir as manifestações no Tibete em março.

Bush disse que sempre que se reuniu com os dirigentes chineses buscou ressaltar o respeito aos direitos humanos, por isso não precisa "dos Jogos Olímpicos para expressar" suas preocupações.

Após a reunião, os dois líderes participarão esta noite de um jantar de caráter social junto as respectivas esposas.

O presidente americano completa hoje 62 anos, e os anfitriões japoneses prepararam, devido à ocasião, uma hospedagem especial. EFE mv/an

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