Bush admite erros, mas assume a maioria de suas decisões

George W. Bush admitiu erros nesta segunda-feira durante sua última entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, mas defendeu com força a ação nos aspectos mais polêmicos de seus dois mandatos, como o Iraque, a economia ou o furacão Katrina.

AFP |

Oito dias antes da posse de Barack Obama, Bush comentou os "erros" e as "decepções" que o marcaram como presidente.

Bush também se insurgiu contra a idéia de que a imagem dos Estados Unidos no mundo se deteriorou muito durante seus mandatos. Ele alegou que a situação no Iraque, ameaçado então pela guerra civil, mudou graças a sua decisão de enviar reforços. Sobre a economia, num momento em que o país está à beira de uma das piores recessões desde os anos 30, o presidente americano disse que seu governo tomou "medidas extraordinárias".

"Há muitas críticas nesse meio. Entendo isso. Agradeço a vocês por me darem a chance de defender um balanço, que vou continuar defendendo porque acredito que é um bom balanço, e um balanço forte", declarou Bush.

"Disse muitas vezes que caberá à História olhar para trás e determinar os erros e acertos que fiz", prosseguiu um dos presidentes mais impopulares da história dos Estados Unidos.

Aparecer em 2003 no convés de um porta-aviões diante de uma faixa com a inscrição: "Missão cumprida", quando os americanos ainda iam passar por graves apuros no Iraque, foi "claramente" um erro, admitiu.

Sua retórica, descrita por seus detratores como a de um "caubói" ante os extremistas, foi outro erro, reconheceu.

Bush também se referiu à decisão de empreender um reforço da previdência social num momento inadequado.

Ele mencionou suas "decepções", citando como as duas piores o escândalo dos abusos cometidos por americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib, e o fato de não ter encontrado no Iraque as armas de destruição em massa que serviram de pretexto para a invasão.

"Não sei se vocês querem chamar isso de erros, mas são coisas que, digamos, não aconteceram da forma prevista", comentou.

"Não concordo, porém, com a afirmação segundo a qual nossas posições se deterioraram no que diz respeito à ética", ressaltou, num momento em que a equipe de Obama transformou a restauração da imagem dos Estados Unidos no mundo em um de seus principais objetivos.

"Essa, talvez, seja a opinião de alguns indivíduos da elite, mas as pessoas continuam considerando a América o símbolo da liberdade", afirmou.

Bush também minimizou o conflito com alguns países aliados provocado pela decisão de invadir o Iraque, e disse que os mesmos países que criticam Guantánamo se recusam a assumir alguns dos prisioneiros detidos neste campo. De um modo geral, ele defendeu as práticas muito controvertidas de sua "guerra contra o terrorismo". "No que se refere às decisões que tomei para proteger a pátria, não me preocupo com popularidade", frisou.

Ele também justificou suas contestadas posições sobre o aquecimento global.

O fracasso do Estado federal em dar uma resposta apropriada ao furacão Katrina também vai marcar para sempre sua presidência. O governo admitiu falhas, mas Bush defendeu vigorosamente sua ação. "Não me digam que a reação federal foi lenta quando evacuamos 30.000 pessoas dos tetos logo após a passagem da tempestade", declarou.

"Sinceramente, nunca perdi tempo me preocupando com as pessoas que falam alto", afirmou.

Bush ainda desejou "o melhor" para Obama, avisando, no entanto, que ele também será criticado e terá de lidar com decepções que muitas vezes virão até "dos que se dizem seus amigos".

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