Bush adia decisões difíceis no Iraque, dizem democratas

Integrantes do partido democrata, de oposição ao presidente americano George W. Bush, acusaram-no de adiar todas as decisões difícies sobre o futuro do Iraque para depois da eleição presidencial de novembro no país, para que elas sejam tomadas pelo próximo presidente.

BBC Brasil |

Os políticos se referiam ao mais recente anúncio do presidente da suspensão da retirada de tropas americanas no Iraque.

Bush afirmou que a retirada de tropas seria suspensa em julho para permitir uma reavaliação da posição no Iraque.

Mas o presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse que o presidente não respondeu a questões-chave, inclusive sobre que condições permitiriam que os soldados voltassem para a casa.

"O presidente levou-nos a uma guerra fracassada, está nos deixando profundamente endividados e essa dívida está nos levando à recessão", disse ela. "Nós precisamos de algumas respostas do presidente."
Até julho, a presença americana no Iraque deve ser reduzida de 20 para 15 - deixando cerca de 140 mil soldados no país - aproximadamente o mesmo número presente antes do aumento de tropas iniciado em meados de 2007.

O correspondente da BBC no Departamento de Estado, Kim Ghattas, disse que agora estão sendo ouvidas vozes dissidentes também entre republicanos (do partido de Bush), por causa do alto custo da guerra e de acordos de longa duração que estão sendo negociados entre o Iraque e os Estados Unidos.

'Passos seguintes'
Em um pronunciamento na quinta-feira, o presidente americano afirmou que a redução vai continuar até julho, como o planejado. A partir de então, os militares terão mais tempo para avaliar os passos seguintes.

Bush afirmou que aceitará a recomendação do comandante das forças militares dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, e acrescentou que o militar "terá todo o tempo que precisa" para avaliar "como a presença americana reduzida vai afetar as condições" no país.

"Alguns sugeriram que este período de avaliação será uma pausa", disse. "Isso é um engano, pois nenhuma de nossas operações no Iraque será paralisada."
"Ao contrário, vamos usar os próximos meses para aproveitar as oportunidades criadas pelo aumento do número de soldados e continuar com as operações", acrescentou.

Na terça-feira, o general David Petraeus recomendou a suspensão da retirada parcial de tropas americanas do Iraque como forma de ajudar a consolidar os avanços conquistados no combate à violência no país.

A declaração foi feita diante do Congresso americano, durante uma apresentação sobre os progressos no Iraque, junto com o embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Ryan Crocker.

"Mudança estratégica"
Bush também afirmou que uma "grande mudança estratégica" ocorreu no Iraque. Segundo o presidente americano, nos últimos 15 meses ocorreram progressos militares e políticos.

De acordo com Bush, a economia iraquiana também "está progredindo".

"A economia do Iraque está crescendo, a renda do petróleo também e seu capital de investimento está se expandindo", afirmou. "Nosso papel econômico no país está mudando."
O presidente americano disse que o mais recente orçamento do Iraque já ultrapassa a ajuda americana para a reconstrução do país.

"O financiamento americano para projetos de reconstrução de grande escala está chegando a zero", acrescentou. "Nossa parte no custo de segurança do Iraque também vai cair, enquanto os iraquianos pagam pela grande maioria de sua própria polícia e Exército."
Em seu pronunciamento, Bush também afirmou que vai diminuir os períodos em que os soldados servem no Iraque e no Afeganistão, de 15 para 12 meses a partir de 1º de agosto, e que os militares passarão um ano em casa para cada ano fora dos Estados Unidos.

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