Buscas por avião são retomadas em meio a protestos de comorenses

Por Ahmed Ali Amir MORONI (Reuters) - Aeronaves francesas e norte-americanas se juntaram nesta quarta-feira às buscas por sobreviventes do acidente com um avião que caiu na costa do arquipélago de Comores, enquanto em Paris comorenses expatriados tentavam bloquear um voo da mesma companhia aérea que sofreu o acidente.

Reuters |

O Airbus A310-300 da Yemenia caiu no Oceano Índico na manhã de terça-feira (horário local) com 153 pessoas a bordo quando se aproximava do aeroporto de Moroni, capital de Comores. A aeronave fazia a última perna de uma viagem iniciada em Paris, que passou por Marselha e chegaria a Comores via Iêmen.

Somente uma sobrevivente -- uma adolescente de 14 anos franco-comorense -- foi encontrada no mar. "Até agora não encontramos nenhum outro sobrevivente, mas ainda não desistimos", disse o vice-presidente de Comores, Idi Nadhoim, à Reuters por telefone.

No momento em que várias embarcações deixavam a principal ilha do arquipélago ao amanhecer, expatriados comorenses tentavam impedir o check-in de passageiros que pretendiam embarcar para o Iêmen no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, segundo uma autoridade aeroportuária.

Cerca de 60 pessoas que deveriam embarcar nesse voo não fizeram o check-in, embora uma porta-voz não tenha conseguido afirmar se os protestos foram a causa ou se os passageiros decidiram não embarcar por alguma outra razão. Cerca de 100 pessoas realizaram o procedimento e o avião decolou.

A sobrevivente do desastre, identificada como Bakari Bahia, tinha cortes no rosto e uma clavícula fraturada. Ela foi encontrada durante os trabalhos de resgate na terça-feira.

"A saúde dela não está em perigo. Ela está muito calma dado o choque que sofreu", disse o cirurgião Ben Imani à Reuters no hospital El Marouf, em Moroni.

Sessenta e seis franceses estavam a bordo da aeronave, segundo autoridades em Paris. Embora a lista completa ainda não tenha sido divulgada, uma autoridade iemenita disse que também havia cidadãos de Canadá, Comores, Etiópia, Indonésia, Marrocos, dos territórios palestinos, das Filipinas e do Iêmen a bordo.

Autoridades comorenses disseram que a França enviou um avião e dois navios do país também se encaminhavam para a região, enquanto os Estados Unidos enviaram um helicóptero para ajudar, além de um avião com suprimentos.

Com uma população de cerca de 800 mil pessoas, o arquipélago de Comores é composto de três ilhas localizadas na costa leste da África, ao norte de Madagascar.

O avião da Yemenia é o segundo Airbus a cair no oceano em um mês. Um Airbus A330-300 da Air France caiu no Oceano Atlântico matando todas as 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio após decolar do Rio de Janeiro para Paris.

A perna Paris-Marselha-Iêmen do voo da Yemenia foi feita em um Airbus A330. Em Sanaa, os passageiros que seguiriam para Comores trocaram de avião e foram para o A310 que caiu.

O ministro francês dos Transportes, Dominique Bussereau, disse que Paris havia banido esse A310 em particular de seu espaço aéreo após a detecção de falhas em 2007.

O vice-presidente de Comores Nadhoim, em entrevista a uma emissora de TV da França, criticou as autoridades francesas por não terem repassado essa informação para Comores.

"Tendo em mente que essa é uma aeronave fabricada pela Airbus, uma grande empresa europeia, esperaríamos que a França repassasse a lista de aeronaves proibidas de voar na Europa", disse.

(Reportagem adicional de Richard Lough em Antananarivo; Laure Bretton e Estelle Shirbon em Paris)

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