Buscas por avião focam área onde foram avistados destroços

Rio de Janeiro, 2 jun (EFE).- As equipes de resgate concentraram hoje as buscas pelo avião da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo enquanto fazia a rota Rio de Janeiro-Paris em torno de uma área do oceano Atlântico na qual foram vistos destroços que poderiam pertencer à aeronave.

EFE |

Tanto a Aeronáutica quanto a Marinha, que desde segunda-feira fazem uma varredura sem descanso na parte do Atlântico que separa o Brasil da África em busca do avião, centraram as operações no imenso setor no qual foram vistos flutuando pedaços que esperam recuperar amanhã para confirmar se pertenciam ao aparelho.

A área está localizada em alto-mar, 650 quilômetros a nordeste do arquipélago de Fernando de Noronha e cerca de 1.100 quilômetros de distância de Natal, onde ficam os aeroportos mais próximos, o que atrapalha os trabalhos de busca e resgate.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), pilotos de dois aviões Hércules C-130 que trabalham nas buscas avistaram hoje de manhã uma poltrona, pedaços brancos, uma boia laranja e um tambor, além de manchas de óleo e de querosene, em dois locais distantes entre si cerca de 60 quilômetros.

Os destroços foram detectados inicialmente esta madrugada por um avião R-99 que utiliza um radar e um sensor infravermelho para captar objetos no mar e medir as diferenças de temperatura.

No entanto, o próprio comando da Aeronáutica esclareceu que, até os destroços serem recolhidos, não será possível confirmar se são partes do avião da Air France.

"Ainda não podemos dizer que sejam do avião, porque é necessário retirar uma peça e que contenha um número ou marca que a identifique como parte do avião", esclareceu em Brasília o vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral.

A confirmação só poderá ser feita após chegarem à área três navios militares, o primeiro dos quais está previsto que alcance o local às 11h desta quarta-feira.

"Esse material não pode ser recolhido por aviões ou helicópteros, mas por navios. A Marinha já se dirige para o lugar", disse Amaral.

As embarcações enviadas foram a fragata "Constituição", a corveta "Caboclo" e o navio-patrulha "Grajaú", que partiram na segunda-feira em direção à área onde o avião poderia ter caído, enquanto outros dois navios, também da Marinha, zarparam hoje do Rio de Janeiro.

Nesta terça passou pelo setor um navio-mercante holandês, cuja tripulação disse não ter encontrado nada até o momento, enquanto outros dois navios se aproximam da área.

As embarcações que circulavam pela região foram avisadas para que mudassem sua rota e apoiassem as buscas do avião e, eventualmente, resgatassem possíveis sobreviventes.

Para facilitar as buscas, a Aeronáutica montou uma base de abastecimento de combustíveis para os aviões militares no aeroporto de Fernando de Noronha.

O gerente de operações do aeroporto, Carlos Gouveia, esclareceu o terminal se encontra em estado de alerta e que poderá se transformar em base aos trabalhos de resgate, caso seja confirmada a descoberta dos destroços do avião.

O Brasil realiza as buscas da aeronave desaparecida com oito aviões e cinco navios da Marinha.

Com a FAB também podem colaborar, caso seja necessário, uma aeronave francesa Falcon 50, que está em Dacar, Senegal, e um avião americano de patrulha marítima P-3C Orion, que chegou hoje ao Brasil.

O avião da Air France partiu do Rio de Janeiro no domingo à noite e fez o último contato com os controladores brasileiros às 22h33 deste dia, quando informaram que entrariam no espaço aéreo senegalês uma hora depois.

Enquanto isso, os parentes e amigos dos brasileiros que viajavam no avião esperam notícias das operações de busca em um hotel da zona oeste do Rio de Janeiro reservado pela companhia aérea.

A diretora da Air France no Brasil, Isabelle Birem, esteve hoje no hotel conversando com os parentes e afirmou que a lista de passageiros será divulgada "provavelmente amanhã", quando a empresa tiver a certeza de que todos os familiares foram contatados. EFE cm/db

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