Buscas da Marinha brasileira invadem a noite sem novos achados

Rio de Janeiro, 3 jun (EFE).- A Marinha brasileira não encontrou hoje restos do Airbus A330-200 da Air France desaparecido no Atlântico com 228 ocupantes, no que foram as primeiras averiguações feitas por seus navios na região onde, segundo as autoridades, aconteceu o acidente.

EFE |

O navio patrulha Grajaú conseguiu esta manhã as coordenadas onde a Força Aérea avistou pedaços do avião e à tarde chegou a corveta Caboclo. Porém, até o início da noite não tinha sido encontrado nada que ajudasse os investigadores a esclarecer o que ocorreu há três dias com o voo AF447 que ia do Rio de Janeiro para Paris.

"Até agora o navio não informou sobre nenhum achado, mas é preciso levar em conta que a região que tem que ser vasculhada é muito extensa e as condições normais do mar dificultam a observação", disse o contra-almirante Sávio Nogueira, diretor de comunicação social da Marinha.

A região onde foram avistados os restos está próxima das ilhas de São Pedro e São Paulo, a cerca de 700 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha e a quase 1.300 quilômetros de Recife.

"Não há dúvida nenhuma de que é o lugar da queda", disse hoje em coletiva de imprensa em Brasília o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que lembrou que a Força Aérea também avistou na região enormes manchas de óleo.

O ministro reiterou que foram encontrados "objetos que serão recolhidos pelos navios" da Marinha, mas até agora não há sinais dos ocupantes do aparelho.

"Ainda não foram achados corpos, nada de sobreviventes", anotou o ministro, que não escondeu seu pessimismo sobre a recuperação dos corpos já que essa parte do mar tem uma profundidade de 4 mil metros.

Também não foram recebidos os sinais que deveriam ser emitidos pela caixa-preta que, perante a falta de pistas sobre as causas do acidente, parece ser o único meio de esclarecer o mistério do ocorrido com o voo AF447.

Pouco antes da chegada dos navios da Marinha à imensa área onde foram avistados os primeiros restos da aeronave, a Força Aérea anunciou ter encontrado mais partes do avião, entre elas uma peça de 7 metros que seria parte da fuselagem.

Essa peça foi vista a cerca de 90 quilômetros do local onde foram avistados ontem uma cadeira, uma boia e outros materiais.

"É uma peça significativa que, levando em conta o avião, pode ser uma lateral ou uma parte de uma asa ou qualquer parte da fuselagem do aparelho", manifestou o vice-diretor de Comunicação Social da Força Aérea, coronel Jorge Amaral, em coletiva de imprensa.

A incessante busca continua a cargo de aviões da Força Aérea que partem do aeroporto de Fernando de Noronha, percorrem a região onde se concentram as operações e voltam para se abastecer de combustível, um movimento que rompeu a calma que costuma imperar nesse paraíso turístico.

Jornalistas de diferentes meios de comunicações nacionais e estrangeiros chegaram esta semana a Fernando de Noronha, para onde, segundo as autoridades, serão levados inicialmente os restos recuperados no mar para depois levá-los a Recife, onde começarão as investigações, disse Jobim.

As operações de busca na área estão a cargo de 11 aeronaves, a maioria delas brasileiras, com as quais colaboram um Falcon 50 da França e um avião de patrulha marítima P-3C Orion dos Estados Unidos.

Além dos navios Grajaú e Caboclo, que já estão na zona do desastre, irão para local duas fragatas e um navio-tanque, segundo a Marinha.

No Rio de Janeiro, os parentes e amigos dos passageiros que esperam ansiosos alguma informação concreta sobre o acidente disseram que pedirão à companhia aérea e às autoridades brasileiras que facilitem sua viagem a Recife para acompanhar mais de perto as investigações.

A primeira homenagem pública no Brasil às vítimas da tragédia acontecerá amanhã no Rio, onde foi convocada uma grande missa. EFE joc/rr

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